Delegada admite erros graves em investigação sobre pedofilia em Catanduva

Vinicius Konchinski
Da Agência Brasil
Em Catanduva

A delegada Rosana da Silva Vani reconheceu hoje (18) que cometeu erros graves durante o inquérito que apurou denúncias de pedofilia em Catanduva (SP). Durante depoimento na audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia realizada na cidade, Rosana disse ter avisado ao advogado de defesa que a polícia faria uma diligência na casa de um dos suspeitos em busca de provas que poderiam ligá-lo à suposta rede de pedofilia existente no município.

Pais e testemunhas também criticam atuação da polícia

As quatro primeiras testemunhas que prestaram depoimento na audiência pública realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia em Catanduva (SP) criticaram o trabalho da Polícia Civil da cidade. Um casal de pais de supostas vítimas, um diretor de escola e o coordenador de uma organização não-governamental (ONG) afirmaram que a polícia foi omissa com relação às suspeitas de existência de uma rede de pedofilia


"Reconheço que foi uma falha grande", disse ela, quando questionada pelos senadores sobre críticas de testemunhas ao trabalho da Polícia Civil. "Foi uma precipitação, uma falta de análise racional."

A diligência da polícia deveria fazer a apreensão da CPU de um computador que supostamente conteria vídeos e fotos de crianças vítimas de abusos sexuais. A delegada confirmou que quando chegou à casa do suspeito, minutos após falar com seu advogado, não encontro a CPU no local.

A delegada também admitiu que a sessão de reconhecimento de suspeitos que ela promoveu com crianças que supostamente sofreram abuso não foi adequada. Na ocasião, a delegada levou as crianças para uma sala após terem prestado depoimento e sem a presença das mães - o que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Rosana justificou-se alegando que nenhum membro do Ministério Público que acompanhava a sessão se manifestou sobre alguma irregularidade. Disse, contudo, que fez o que achava melhor para a ocasião. "Tentei fazer o melhor que pude", afirmou. "Achei que qualquer falha seria mencionada pelos promotores. Como não foi..."

Depois do depoimento de Rosana, o presidente da CPI da Pedofilia, Magno Malta (PR-ES), afirmou que a falha da delegada é grave. Para ele, os erros podem ter comprometido provas capitais da investigação sobre a existência de uma rede de pedofilia no município.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos