Denúncias de corrupção foram estopim para demissão de Marzagão, dizem especialistas

Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo


As recentes denúncias de corrupção na gestão do agora ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, foram o estopim da demissão encaminhada ontem ao governador José Serra. Esta é a avaliação de dois especialistas ouvidos pelo UOL Notícias. Entretanto, o professor Sérgio Adorno, sociólogo e coordenador do Núcleo de Estudo da Violência da USP, e o coronel José Vicente da Silva Filho, consultor e ex-secretário nacional de Segurança Pública, não se arriscam a afirmar que este foi o único ou principal motivo do afastamento. Para justificar a demissão, o secretário alegou "motivos estritamente pessoais".

Acusado de envolvimento em um esquema de venda de cargos de chefia na Polícia Civil, o então secretário-adjunto de Marzagão, Lauro Malheiros Neto, deixou o cargo em maio de 2008. Malheiros nega as acusações. Marzagão afirmou desconhecer as denúncias e declarou-se "surpreso" e "impressionado" com as acusações.

"Até onde temos a informação, o episódio criou desgaste para o governo. Pode ter acontecido sem conhecimento dele, mas foi durante sua gestão. O melhor é sair de campo mesmo que não tenha ligação [com o caso]", acredita o coronel José Vicente.
  • 07.06.2005 - Marlene Bergamo/Folha Imagem

    Coronel José Vicente da Silva Filho, consultor e ex-secretário nacional de Segurança Pública

  • 15.12.1999 - João Wainer/Folha Imagem

    Sérgio Adorno, coordenador do Núcleo de Estudo da Violência da Universidade de São Paulo


Para Sérgio Adorno, "não há indicação de envolvimento" de Marzagão no caso, mas o fato de ser um assessor muito próximo dificultou a permanência do secretário no cargo. Adorno ressalta que a denúncia foi um fator importante, mas não o único. "Com a greve da Polícia Civil, o secretário saiu desgastado. É preciso uma liderança que transite bem entre as polícias", afirmou. Além de advogado criminalista, promotor e procurador de Justiça, Marzagão foi também capitão da Polícia Militar. Os policiais civis criticavam a atuação do secretário e reivindicavam melhores salários e condições de trabalho.

Adorno lembra que o governo obteve êxito na diminuição das taxas de homicídio, mas não conseguiu combater o aumento dos crimes contra o patrimônio, como os roubos a banco e os sequestros. "A percepção da sociedade é que a falta de segurança ainda é um problema grave em São Paulo", completa. O coronel José Vicente da Silva Filho acredita que o governo tem melhorado sua atuação no combate a facções, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), mas crê que ainda "há muito caminho para aperfeiçoar".

Sobre a indicação de Antonio Ferreira Pinto, que comandava a Administração Penitenciária, para a Secretaria de Segurança Pública, Adorno é cauteloso e lembra que há uma visão crítica sobre o sistema penitenciário atual. "Precisamos de uma política diferente da de hoje: mais eficaz e com mais presença do controle externo. A segurança é um assunto muito complexo, não é só aplicar leis. É preciso reprimir os crimes, mas criar políticas que evitem os futuros problemas", afirma.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos