Índios mantêm antropólogo e outras duas pessoas como reféns no Paraná

Lúcia Norcio
Da Agência Brasil
Em Curitiba

O antropólogo da Copel (Companhia Paranaense de Energia) Alexandre Húngaro da Silva e dois funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviço para a estatal foram feitos reféns por índios caingangues da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no norte do Paraná.

Os índios mantêm os três homens em cativeiro como forma de garantir o prosseguimento das negociações com a estatal para o pagamento de indenização pelo uso de terras da reserva, onde estão instaladas 14 torres de transmissão de energia. Ninguém está conseguindo entrar ou sair da aldeia sem autorização do cacique.

O representante da Funai (Fundação Nacional do Índio), em Londrina, Marcos César da Silva, disse que esteve na reserva na tarde de sábado (21) e que, apesar do clima tenso na aldeia, os reféns estão bem. Segundo ele, a administração da Funai em Londrina está tentando, por telefone, negociar a libertação dos reféns.

José Almir Torres Quintanilha, 28, e seu irmão, Valmiron Torres Quintanilha, 30, foram feito reféns na última quinta-feira(19), quando faziam o trabalho de inspeção de rotina na aldeia. O antropólogo foi ao local no dia seguinte tentar uma negociação e também foi dominado pelos índios.

As mulheres de José e Valmiron, Lúcia e Josilene Torres, informaram à Agência Brasil que o último contato com eles foi na noite de ontem (21). "Os dois disseram que estão sendo bem tratados . Estão em uma sala com colchões e cobertas. Os índios têm permitido que a Copel envie a alimentação. Mas estamos preocupadas, porque os índios já avisaram a eles que se polícia invadir a reserva a situação vai se complicar", contou Josilene.

Elas disseram que os maridos estão na expectativa de serem libertados apenas na próxima quarta-feira (25), após reunião entre representantes da aldeia com Ministério Público Federal, Funai e Copel para discutir os valores da indenização.

O impasse teria começado porque essa reunião, anteriormente agendada para o último dia 18, foi cancelada. Os índios não foram informados sobre isso e compareceram ao local marcado. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, em Londrina, manter os reféns é uma forma de garantir as negociações.

A assessoria informou que o pagamento pelo uso da reserva, no valor de R$ 25 mil, é feito todos os meses e não está atrasado. O que está sendo discutindo agora é uma indenização por danos culturais e ambientais da área. A Copel ofereceu uma cota de R$ 1 milhão, mas os índios querem um valor maior.

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