Índios libertam três pessoas mantidas reféns em reserva no Paraná

Lúcia Norcio
Da Agência Brasil
Em Curitiba

Foram libertados ontem (23), por volta das 22h, dois funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) mantidos reféns desde a última quinta-feira (19) por índios da etnia kaingang da Reserva Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra, no norte do Paraná. José Almir Torres Quintanilha, e seu irmão, Valmiron Torres Quintanilha, foram feitos reféns quando faziam o trabalho de inspeção de rotina na aldeia. O antropólogo Alexandre Húngaro da Silva foi ao local tentar uma negociação e também foi impedido de deixar a reserva. Ele também foi liberado pelos índios.

Segundo a assessoria de imprensa da Copel, os indígenas disseram que a ação era uma forma de garantir o prosseguimento das negociações com a estatal para o pagamento de indenização pelo uso de terras da reserva, na qual estão instaladas 14 torres de transmissão de energia. A companhia paga R$ 25 mil por mês pelo uso da reserva, e, segundo a assessoria, o pagamento não está atrasado.

Os reféns foram libertados após a ida até a aldeia de dois técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles levaram um documento garantindo a antecipação para a tarde de hoje, de uma reunião em Londrina para tratar do assunto, que estava agendada para amanhã (25). Participam do encontro representantes da Copel, do Ministério Público Federal e da Funai. O impasse teria começado porque essa reunião, anteriormente agendada para o último dia 18, foi cancelada. Os índios não foram informados sobre isso e compareceram ao local marcado.

Valmiron Torres Quintanilha disse hoje à Agência Brasil que foi bem tratado e que não sofreu nenhuma violência física. "Apenas ameaçavam a gente, mas entendo que eles lutavam pelo que acreditam ser o direito deles". Ele contou que, durante os cinco dias em que ficaram reféns, foram obrigados a fazer várias ligações clandestinas dentro da aldeia. "Ficávamos com receio de acontecer alguma coisa com a gente porque era toda a comunidade decidindo, eles não ouviam mais o que o cacique dizia. Todas as propostas eram analisadas e as decisões tomadas após muita discussão entre eles", lembrou Quintanilha.

Ele disse que já está pronto para voltar ao trabalho hoje, mas que seu irmão, José Almir Torres Quintanilha, está muito assustado e pretende voltar para o interior de Goiás com a família. "Lá é mais tranqüilo. Aqui estamos vivendo numa área de muita tensão. Mas, graças a Deus, rezamos muito e tudo acabou bem."

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