Polícia Federal prende dez em operação contra crimes financeiros na Camargo Corrêa

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Atualizada às 18h52

Dez pessoas foram presas, entre elas quatro diretores e duas secretárias da construtora Camargo Corrêa, em São Paulo, em uma operação da Polícia Federal (PF) contra crimes financeiros e lavagem de dinheiro realizada nesta quarta-feira (25). No Rio de Janeiro, foram presos três doleiros. O objetivo da operação, batizada de "Castelo de Areia", é desarticular uma quadrilha que operaria dentro da construtora.

Segundo a PF, a quadrilha movimentava dinheiro de forma ilícita, em operações conhecidas como "dólar-cabo" (sem registro no Banco Central, através de contas no exterior), por meio de empresas de fachada. O delegado regional de combate ao crime organizado, José Alberto Iegas, afirmou, em coletiva à imprensa na tarde de hoje, que os quatro diretores presos enviavam dinheiro para paraísos fiscais através dos doleiros presos no Rio de Janeiro. A PF, entretanto, afirma que ainda está investigando a origem do dinheiro e confirma apenas que a movimentação foi irregular. "Nós estamos investigando pessoas, seria precipitado atribuir o crime à empresa", disse Iegas.

A 10ª pessoa presa fazia intermediações no esquema de fraude, mas, segundo a polícia, não tem relação com a Camargo Corrêa. Não foi divulgado o nome de nenhum dos presos. Foi decretada prisão temporária para um dos diretores e para as duas secretarias. Para os demais presos, a prisão é preventiva.

Quem são os presos



Durante a operação, que reuniu cerca de cem policiais, foram apreendidos mais de R$ 1 milhão nos escritórios dos doleiros no Rio de Janeiro. Na Camargo Côrrea foram apreendidos documentos, mídias, arquivos de computador e cofres. Ao todo foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão.

Os principais crimes investigados pela PF são evasão de divisas, operação de instituição financeira sem autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações. Somadas, as penas podem chegar a 27 anos de prisão. Clientes dos doleiros investigados também foram identificados e podem responder por crime de evasão, que chega a seis anos de prisão.

Envolvimento de políticos
De acordo com Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, a operação revelaria contribuições para alguns dos principais partidos políticos "por dentro e por fora" com a participação de "uma pessoa muito influente em São Paulo".

A polícia, entretanto, negou que políticos estejam envolvidos no esquema. "Nossa investigação foi pautada pelo crime de evasão de divisas. Se a partir do material coletado forem constatados outros crimes, todos serão apurados", disse o delegado.

Outro lado
Em nota, a Camargo Corrêa manifestou "perplexidade" diante da "invasão" de sua sede em São Paulo pela Polícia Federal. "O grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação, atingindo e constrangendo a comunidade Camargo Corrêa e trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas", diz a nota.

A empresa também se queixa de não ter acesso a documentos que autorizem a ação da PF e ressalta que "a Camargo Corrêa cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais".

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