Advogada da dona da Daslu entra com habeas corpus e lê carta de detida

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os advogados de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, entraram com um pedido de habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região de São Paulo. A expectativa da defesa, "otimista", é que a liberdade seja decidida nesta sexta-feira.

Tranchesi escreveu carta antes de prisão

Segundo a advogada Joyce Roysen, a prisão de Tranchesi foi "ilegal, desnecessária e cruel". O argumento dela é que a decisão é provisória, que a detida passa por tratamento médico e que em todo momento que se afastou do país avisou a Justiça de suas viagens.

Tranchesi foi condenada a 94 anos e seis meses por formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica e está na Penitenciária Feminina, na região norte da cidade.

"A absolvição seria perfeita, mas o justo seria, no máximo, quatro anos. A juíza deu pena máxima em todos os crimes. Foi uma decisão exagerada e tendenciosa", afirmou a advogada, que classificou a sentença, que soma cerca de 500 páginas, como "frágil demais, não se sustenta". Roysen ainda listou outros casos policiais notórios, como o de Suzane Von Richthofen, o de Fernandinho Beira-Mar e o de Pimenta Neves, com condenações mais breves, para justificar o que ela vê como desproporção da pena de sua cliente.

Roysen deu entrevista coletiva nesta tarde de quinta em seu escritório na região dos Jardins. Ela leu para as câmeras e microfones uma carta que Eliana Tranchesi escreveu de próprio punho de manhã no "seu closet, escolhendo a roupa para sair".

"Não vejo sentido em estar presa novamente. Não represento perigo para a sociedade" são as primeiras linhas de sua carta endereçada à imprensa, lida antes da advogada responder às perguntas da mídia.

Roysen argumentou que sua cliente não cuidava da parte contábil da empresa, que foi "um descuido ter deixado de recolher algum imposto" e que as multas aplicadas estão sendo pagas em parcelas. Ela ainda apresentou uma contabilidade de importação em que a Daslu comprou no exterior R$ 78 milhões em mercadoria, com R$ 59 milhões em taxas por essas aquisições desde 2007.

A Villa Daslu, shopping localizado na Vila Olímpia que ficou como símbolo do mercado de luxo no país, funcionou normalmente nesta quinta. O próprio site avisava os clientes que eles podiam frequentar o local, mesmo com a detenção de sua proprietária.

A carta e a advogada

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Carta que a dona da Daslu escreveu antes de sua detenção

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Joyce Roysen, advogada de Tranchesi, deu entrevista coletiva

O local tem cerca de 90 estandes de grifes internacionais, fora os produtos com a marca Daslu. O movimento era normal, como pôde acompanhar a reportagem do UOL Notícias. No horário de almoço, a frequência aumentou com os usuários dos três restaurantes do local.

O empreendimento tem cerca de 700 funcionários. Eles foram notificados pela administração da situação judicial da chefe hierárquica. Também foram instruídos a não se pronunciarem sobre o assunto. "Não sei nada" era a resposta padrão.

Uma estilista da grife Daslu, que não quis dar o nome, se arriscou em um comentário mais extenso. "Já se esperava algo, mais dia menos dia. Mas é uma batalha judicial. Podemos ganhar a próxima", disse a funcionária, para depois afirmar que "o clima era normal" dentro do maior empreendimento do grupo - há também loja no Shopping Cidade Jardim.

Já as clientes se mostravam indignadas com a prisão. Uma delas, avisada pela reportagem do UOL Notícias, considerou "um absurdo", mas não quis dar nome a essa sua opinião.

O mercado de luxo sofreu uma retração em todo o mundo com a crise global que começou em setembro de 2008. Mesmo assim, a proprietária da Daslu disse em entrevista em dezembro último que não havia diminuição do movimento, apenas um decréscimo de 20% nos importados pela empresa após o valor do dólar disparar.

Tranchesi está sendo processada desde 2005, depois de deflagrada a "Operação Narciso", pela Polícia Federal. A sua advogada afirma que o câncer diagnosticado no ano seguinte e que é tratado com quimioterapia atualmente é "decorrência do trauma".

Roysen leu também laudo médico assinado por Sérgio Simon, médico oncologista do hospital Albert Einstein, em que atesta que um aprisionamento e um interropimento do tratamento contra a metástase nos pulmões e coluna poderia causar uma infecção generalizada e um quadro de hipertensão arterial, aconselhando uma prisão domiciliar.

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