Dona da Daslu é "empresária de criminalidade sofisticada", diz juíza em sentença

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Apontada como uma das "chefes" de uma "organização criminosa", Eliana Tranchesi é classificada como uma "empresária de criminalidade sofisticada" pela juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal de Guarulhos (Grande SP), em sentença que condena a dona da butique Daslu a 94 anos e 6 meses de prisão por crimes como descaminho e falsidade ideológica.

Dona da Daslu é condenada a 94 anos e meio de reclusão

  • Ana Ottoni/Folha Imagem - 22.set.2006

    Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, 53, foi presa nesta quinta-feira (26) acusada de crimes como formação de quadrilha, descaminho (importação fraudulenta de produto lícito) e falsidade ideológica



Segundo a juíza, ao lado do irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, diretor financeiro da loja, Eliana agiu com o "escopo de cometer um gigantesco e bilionário programa delinquencial" e sua conduta é "proveniente da cobiça em busca da acumulação de riquezas provenientes de meios ilícitos", pois "visava angariar recursos bilionários através de lesão ao erário".

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A argumentação foi usada pela magistrada, em sentença de cerca de 500 páginas, para dosar a pena contra Tranchesi. Para Maria Isabel do Prado, trata-se de uma "delinquente contumaz, com plena insensibilidade e desrespeito à aplicação das leis". Assim, a juíza entendeu que o fato de a ré ser primária não tem condições de favorecê-la.

A juíza levou em conta dois fatores para determinar a prisão preventiva de Tranchesi e de outros seis condenados no caso: a existência, segundo ela, de uma "organização criminosa" e o fato de que, durante o processo, "surgiram provas inequívocas da reiteração criminosa".

A magistrada refere-se à apreensão, em Santa Catarina, de mercadorias importadas pela Daslu em dezembro de 2005, oito meses após a deflagração da Operação Narciso, avaliadas em R$ 2 milhões.

Conforme a sentença, a Daslu apenas deslocou o recebimento dos produtos importados ilegalmente para fugir da fiscalização, concentrada originalmente no Aeroporto de Cumbica (Guarulhos-SP), onde o esquema foi descoberto.

Em carta, Tranchesi diz que prisão é sem sentido

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Carta que a dona da Daslu escreveu antes de sua detenção

  • Rodrigo Bertolotto/UOL

    Joyce Roysen, advogada de Tranchesi



Eliana é apontada como "chefe" da organização, como "responsável pelas negociações travadas diretamente com as representantes de grifes famosas no exterior".

Segundo denúncia do Ministério Público Federal, as importadoras acusadas tratavam de subfaturar os valores e faziam com que as mercadorias entrassem no país por meio de notas falsas e pagando menos impostos.

"Verifica-se que o valor de uma calça da 'Marc Jacobs' é de 150 dólares, todavia, o valor declarado para importação foi de apenas 20 dólares", diz a juíza.

"Não remanescem dúvidas, portanto, de que os acusados estavam previamente conluiados para a prática delitiva. (...) os acusados associaram-se, de forma planejada e estruturada, com divisão funcional de atividades, tendo por escopo a obtenção de lucro ilegal", conclui a juíza em sua decisão.

Em carta enviada à imprensa, Eliana Tranchesi afirma que sua vida foi "revirada" e alega que não é um "perigo para a sociedade", por isso, sua prisão não está justificada.

A defesa da dona da butique entrou com habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região para tentar reverter a prisão.

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