Morte de Isabella Nardoni completa um ano; pai e madrasta vão a júri popular

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Um ano depois da morte que chocou o país, pai e madrasta da menina Isabella Nardoni, 5, jogada da janela do 6º andar de um prédio na zona norte de São Paulo, aguardam presos o julgamento por júri popular. Já a mãe, a bancária Ana Carolina Oliveira, tenta se adaptar à nova rotina e lidar com a ausência da filha cujo sorriso, segundo o Le Monde, assombrou o Brasil.

Caso Isabella

  • Reprodução

    Isabella Nardoni, 5, morreu após ser jogada da janela do 6º andar do prédio em que moravam o pai e a madrasta em São Paulo

  • Raimundo Paccó/Folha Imagem

    Alexandre Nardoni, 29, pai de Isabella, está preso e responde pelo homicídio

  • Reprodução

    Madrasta da menina, Anna Carolina Jatobá, 23, é acusada de esganar a vítima

  • Moacyr

    Na televisão, pai e madrasta alegaram inocência

  • Danilo Verpa/Folha Imagem

    Missa de 7º dia reúne centenas de pessoas na igreja Nossa Senhora da Candelária, em SP

  • Marlene

    Para reconstituir a queda, peritos passaram vários dias no apartamento e usaram boneca semelhante à menina

  • Eduardo

    O promotor do caso, Francisco Cembranelli, adiantou que motivação poderia ser "ciúme"



Quando Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 23, chamaram a polícia no dia 29 de março de 2008 para registrar a queda de uma criança de 5 anos da janela do apartamento onde moravam, não imaginavam tornar-se o foco das atenções de todo o país nos meses seguintes.

A Justiça e a polícia fizeram sua parte no caso Isabella?



Desde o início, o crime causou comoção. No dia 1º de abril, já se falava em uma possível asfixia. Os laudos não estavam prontos. A ausência de arrombamento intrigava. O pai e a madrasta denunciaram a presença de um bandido. A tela da janela havia sido cortada.

Um dia depois do crime, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, prestou depoimento. A narrativa da mãe de Isabella provocou o primeiro pedido de prisão do casal, temporária, decretada horas depois.

Antes de se entregar, Nardoni recorreu à imprensa. Em carta, disse que seu "mundo acabou" e que "a verdade prevalecerá".

A investigação continuou, e a perícia encontrou vestígios de sangue no carro do pai de Isabella. A tia da menina afirmou à imprensa que roupas encontradas no apartamento eram do pedreiro. Vizinhos diziam ter ouvido uma briga no apartamento, e o porteiro, primeiro a ver o corpo da menina no jardim do prédio, disse que ninguém entrara naquela noite no edifício.

Um operário em uma obra vizinha sugeriu que o muro do edifício poderia ser pulado pelos fundos. As testemunhas do caso repetiam à imprensa as versões dadas à polícia, como a frase que acabou sendo questionada pelo advogado dos acusados: "Pára, pai".

Ciúme
No dia 11 de abril, o desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu habeas corpus que determinou a
soltura do casal: "Simples suspeitas não justificam prisão", escreveu.

Soltos, pai e madrasta de Isabella tentaram se esconder dos holofotes na casa dos pais, em Guarulhos, mas não conseguiram. Equipes permaneciam no local dia e noite, acompanhando todos os passos. Ao prestar novos esclarecimentos à polícia, motivaram um esquema de segurança destinado a controlar os ânimos de um verdadeiro espetáculo, no dia em que Isabella completaria seis anos. Saíram do 9º DP (Carandiru) indiciados, ou oficialmente suspeitos.

O promotor do caso, Francisco José Taddei Cembranelli, afirmou que a palavra "ciúme" foi citada no inquérito por diversas vezes. Os jornais do dia seguinte estampariam reportagens realizadas na faculdade onde ambos estudavam, levantando polêmicas sobre brigas e a convivência de Anna Carolina e Alexandre.

O caso fez a audiência de telejornais crescer até 46%. Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá recorreram mais uma vez à televisão. Em entrevista ao programa "Fantástico", alegaram inocência. "Deus é nossa única testemunha."

Júri popular
Um mês e um dia depois do crime, inquérito apontou que Alexandre Nardoni jogou Isabella da janela após Anna Carolina Jatobá a ter asfixiado, por descontrole emocional.

No dia 6 de maio, o Ministério Público concluiu que o casal deveria responder por dois crimes: homicídio com três qualificadoras - por asfixia mecânica (meio cruel), uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima (Isabella estava inconsciente no momento da queda) e com o intuito de garantir a impunidade de delito anterior (o próprio assassinato da menina), além de agravantes; e por fraude processual (manipular a cena do crime com o intuito de enganar a Justiça). A pena vai de 12 a 30 anos de prisão.

O juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, recebeu a denúncia e decretou a preventiva. Em mais um espetáculo midiático, Nardoni e Jatobá deixaram o prédio em Guarulhos rumo à prisão.

No final de maio, em interrogatório, o casal acusou a polícia de tê-los pressionado por uma confissão. Todos os pedidos de liberdade posteriores, inclusive ao STF (Supremo Tribunal Federal) foram negados. Os réus irão a júri popular pelo crime.

Nesta terça (24), a Justiça de São Paulo confirmou o júri popular. Falta apenas definir a data. A expectativa é de que ocorra no segundo semestre. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá continuam alegando inocência.

"A fé é muito importante, é ela que faz você seguir em frente todos os dias e acreditar que Deus é justo", afirmou Ana Carolina Oliveira esta semana à Folha Online.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos