Mercado imobiliário está estagnado em área que pode ser desapropriada no Jabaquara, em SP

Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo

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Você acha que o aeroporto de Congonhas deve ser ampliado?

Com as notícias de desapropriações no Jabaquara devido à possível ampliação do aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, os negócios imobiliários naquela região estão parados. "Os negócios no quadrilátero que saiu na imprensa [como área a ser desapropriada] estão estagnados, congelados", enfatiza o presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), José Augusto Viana Neto.

  • 06.nov.2008 - Diego Padgurschi/Folha Imagem

    Cerca de 2.000 imóveis do lado do Jabaquara podem ser desapropriados com a ampliação do aeroporto de Congonhas

  • Gabriela Sylos

    A varanda da casa do morador Damagoy Ante Mário tem vista para o aeroporto. "Estamos acostumados [com o barulho]"

"Ninguém consegue vender com este boato", confirma o morador Paulo Henrique Herdeiro, 27, morador do bairro desde que nasceu. Algumas reformas também foram congeladas. A casa de 300 m² do morador Damagoy Ante Mário, 48, foi reformada há dois anos, mas o quarto dos filhos, que seria refeito agora, teve o projeto adiado. Já Luiz Carlos Dall, 47, da Associação dos Moradores do Entorno do Aeroporto de Congonhas (AMEA), afirma que um hotel ao lado de sua casa parou uma reforma com medo da desapropriação.

A região do bairro que não deve ser atingida pela desapropriação, entretanto, continua com as vendas normalizadas, segundo o presidente do Creci. O preço do metro quadrado no Jabaquara varia entre R$ 1.700 e R$ 2.500, considerado médio em relação ao resto da capital. O mercado registrou uma retração logo depois do acidente da TAM, em julho de 2007, quando 199 pessoas morreram, mas teria se recuperado. O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim afirma que os acidentes não desvalorizaram a região. "Os acidentes são raros. A área é bem localizada e tem um bom sistema viário", ressalta. Segundo Dall, um levantamento informal da AMEA mostrou que as vendas "são normais, iguais a outros bairros da cidade".

Para o presidente do Creci, o mercado de venda e aluguel no bairro é dinâmico. "Existe alta liquidez na região. Quanto ao barulho [do aeroporto], parece não ser um inconveniente para os moradores", afirma. Os que residem há muitos anos no bairro confirmam a tese. "Estamos acostumados", diz Damagoy Ante Mário, 48 anos, dos quais 18 são no Jabaquara. Mário e os vizinhos ressaltam que a região é bem localizada, tem metro próximo e serviços locais de qualidade, como a sede do laboratório Fleury e o hospital Nossa Senhora de Lourdes.

  • Gabriela Sylos/UOL

    Moradores do bairro do Jabaquara utilizam faixas para criticar as possíveis desapropriações que podem ser feitas na região para permitir a ampliação do aeroporto de Congonhas, na zona sul de SP

Obra de ampliação pode gerar especulação
De acordo com informações do prefeito Gilberto Kassab divulgadas pela imprensa, a ideia é repassar a empresas privadas os custos da obra de ampliação de Congonhas. As empresas poderiam utilizar a área localizada sob o prolongamento das pistas para construir uma espécie de shopping. Desta forma, governo federal, estadual e municipal estariam isentos de custos com as obras.

"Se o projeto se concretizar, ele é ambicioso", afirma José Augusto Viana Neto. "As lojas comerciais vão promover a valorização da área, que já é cobiçada". O presidente do Creci acredita que, quando e se anunciarem a desapropriação, as vendas ao redor do local serão feitas 30% mais rápido, o que puxaria a valorização e a consequente especulação imobiliária. Neto, entretanto, não arrisca calcular quanto o valor do metro quadrado subiria.

Já Jorge Wilheim afirma que não teve acesso ao projeto de ampliação, mas não acredita na possibilidade de valorização da área. "A valorização na cabeceira de um aeroporto é improvável", afirma.

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