"Nasci de novo", diz mergulhador que teve o crânio perfurado por um arpão no Rio

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

"Nasci de novo". Assim resume o mergulhador Emerson Oliveira Santos, 36, a situação que enfrentou no último sábado (28), quando teve o crânio perfurado por um arpão enquanto mergulhava na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

  • Reprodução

    Imagens da tomografia computadorizada

Emerson conversou pelo celular com a reportagem do UOL Notícias do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna), onde está internado. "Foi tudo muito rápido. Disparei o arpão em direção a um peixe. Quando vi, o arpão bateu em uma pedra, voltou e atingiu minha cabeça", recorda Emerson. "Na hora um amigo viu que eu tinha me ferido e me ajudou. Daí eu subi numa pedra e fui socorrido por uma embarcação de uns moradores da Ilha do Governador", acrescenta.

Pai de uma filha de 14 anos e um filho de sete, Emerson conta que os moradores o levaram de carro até o Hospital Municipal Paulino Werneck, na Ilha do Governador, onde, no entanto, ele não pôde ser atendido por falta de infraestrutura.

Lúcido e com o arpão fincado na cabeça, Emerson foi encaminhado ao Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias (RJ), por uma viatura do Grupamento de Socorro de Emergência (GSE) do Corpo de Bombeiros. "Foi horrível. Eu estava muito nervoso. Tentava me segurar e não me mexer, mas a viatura trepidava muito", relata.

No hospital, ele foi submetido a uma tomografia computadorizada e a uma cirurgia de 2h30 para a remoção do artefato, realizada pela equipe do neurocirurgião Emanuel Moreira.

Veja como Emerson foi atingido pelo arpão

"Eu estava com medo de ficar largado no corredor do hospital, sem ser atendido. Os médicos ficaram assustados quando me viram, mas me atenderam muito bem", afirma. "Quando acordei, falei para o enfermeiro 'vocês não vão tirar isso da minha cabeça?'. Ele me respondeu. 'Tirar o quê?'. Daí eu vi que o arpão não estava mais lá", relembra Emerson.

Emerson trabalha como prestador de serviços de pintura na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde fez um curso de mergulho e caça submarina, esporte que pratica há anos. Depois do acidente, porém, ele confessa que pretende abandonar o hobby. "Diante do que aconteceu, acho que não vou continuar a mergulhar. Nunca ouvi falar em algo parecido com o que aconteceu comigo. Nasci de novo. Agradeço a Deus por ter sobrevivido", diz.

Ele se recupera bem da cirurgia e não deve ficar com sequelas, já que o arpão não atingiu nenhuma parte vital do cérebro. O paciente não tem previsão de alta do hospital. "Estou muito bem. Já tomo banho sozinho. Só minha vista que está um pouco inchada", afirma.

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