Polícia prende 12 pessoas envolvidas em comércio ilegal de carvão em MG

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Atualizada às 19h45

Segundo balanço parcial do Ministério Público Estadual (MPE), 12 pessoas foram presas durante a Operação SOS Cerrado, realizada nesta terça-feira (31), em 17 cidades de Minas Gerais. A operação tem como objetivo desarticular grupos acusados de comercializar carvão ilegalmente para siderúrgicas no Estado.

Entre os presos, está um engenheiro do IEF (Instituto Estadual de Florestas) e um funcionário do SIAT (Serviço Integrado de Administração Tributária). Os demais, de acordo com o MPE, são "laranjas", produtores rurais e contadores. Todos as prisão são temporárias. Outros quatro mandados de prisão ainda precisam ser cumpridos.

O órgão informou que o engenheiro, cujo nome não foi revelado, detinha ilegalmente uma carabina. Um revólver calibre 38 que, segundo a polícia, também seria do engenheiro, era de uma pessoa presa na cidade de Lagamar. Documentos apreendidos na operação serão enviados para análise da Secretaria de Estado da Fazenda.

Ainda conforme o MPE, os promotores de Justiça que participaram da operação já começaram a colher depoimentos dos presos e a intenção é finalizar os interrogatórios em cinco dias. Participam da ação 22 promotores do Ministério Público, 50 auditores fiscais e 180 policiais militares.

As investigações apontam que líderes da organização, por meio de "laranjas", mantinham a propriedade de áreas de florestas legalizadas de eucalipto. Com isso, os suspeitos conseguiam, no IEF, guias de autorização de desmates. A autorização era concedida por um mesmo servidor do instituto, que se deslocava pelas regiões do Estado para fazer as vistorias nas propriedades.

Os proprietários conseguiam a emissão de notas fiscais avulsas nas repartições fazendárias do Estado e as vendiam para pessoas interessadas em legalizar a venda de carvão obtido de maneira irregular, geralmente, da mata nativa. De acordo com o MPE, somente uma pequena parte da produção saía das florestas de eucalipto legalizadas.

Na avaliação do Ministério Público, em torno de R$ 23 milhões foram sonegados. O prejuízo calculado seria somente dado pelas organizações investigadas na operação.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2007, metade da produção brasileira de carvão saiu de Minas Gerais.

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