Rio Negro (AM) terá entre abril e junho sua maior cheia desde 1953, prevê serviço do governo

Especial para o UOL Notícias
Em Manaus

O fenômeno climático La Niña (que resfria as águas do oceano Pacífico e altera a circulação dos ventos na América do Sul) será o responsável nos próximos meses pela maior cheia do rio Negro, no Estado do Amazonas, desde 1953. O alerta foi feito nesta terça-feira (31) pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM, órgão do Ministério das Minas e Energia). Outros rios amazônicos já estão com o nível acima do normal.

Chuvas deixam centenas de desabrigados no Amazonas

Levantamento realizado pela Defesa Civil do Amazonas revela que pelo menos 182 pessoas ficaram desabrigadas por causa das fortes chuvas e inundações ocorridas no Estado nos últimos meses. Aproximadamente 5,6 mil pessoas estão desalojadas, ou seja, tiveram que ser removidas de suas casas por questões de segurança. Os atingidos vivem nos municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Tabatinga - os mais prejudicados pelas chuvas


Sete municípios já decretaram situação de emergência e, segundo a Defesa Civil do governo do Estado, pelo menos 46,5 mil famílias já foram atingidas pela atual elevação no nível dos rios da região. Acredita-se que até o final da temporada de chuvas, entre abril e junho, 40 dos 62 municípios do Estado sejam atingidos pela cheia.

De acordo com o gerente de hidrologia do CPRM, Marco Oliveira, a estimativa inicial é de que o nível do rio Negro, que banha Manaus, chegue a 29,68 metros, um centímetro a menos que a maior cheia já registrada no Estado, 29,69 metros, em 1953.

A chefe do 1º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lúcia Gularte, disse que a cheia intensa deste ano se deve ao La Niña. "Isso ocasionou um aumento na quantidade de chuvas no Peru e na Colômbia e vem se refletindo no nível dos nossos rios", explicou.

Marco Oliveira afirma que apesar de a cheia ser considerada intensa, não há risco de que as águas invadam o centro de Manaus. No interior, porém, a situação é preocupante. Sete municípios já decretaram situação de emergência. Em Benjamin Constant, por exemplo (na calha do rio Solimões), a Defesa Civil do governo do Estado distribuiu 1.700 cestas básicas.

"Nós estamos atendendo de acordo com a demanda dos municípios. Benjamin foi atendida na frente porque foi o primeiro município a decretar situação de emergência", disse o subsecretário estadual de Defesa Civil, Hermógenes Rabelo.

O diretor da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Evandro Melo, admite que os prefeitos do interior do Amazonas não têm condições de lidar com as conseqüências das cheias. "Sozinhos, eles não conseguem. Todos os anos, a gente tem que ajudá-los", disse.

Entre os principais efeitos negativos da cheia dos rios amazônicos está o deslocamento de boa parte da população que habita as áreas ribeirinhas. As casas, em sua maioria, são construídas sob palafitas, mas neste ano, milhares de pessoas tiveram de ser retiradas de suas casas.

Evandro Melo disse que há risco de epidemias em função da cheia. "Quando o rio sobe demais, a água fica parada e isso favorece a disseminação de doenças como a malária." Outro risco apontado por Melo é o de aumento no número de infecções por conta do consumo de água contaminada. "Por incrível que pareça, na cheia, diminui a quantidade de água potável. Já estamos distribuindo hipoclorito de sódio para algumas comunidades", disse.

O próximo alerta de cheia emitido pelo CPRM será feito no dia 30 de abril. Segundo Marco Oliveira, o mês de abril é o tem apresentado a maior quantidade de chuvas. "Nós estamos esperando 300 milímetros de chuva nos próximos 30 dias", disse.

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