"Prefiro assar pizza a colocar alguém na fogueira", diz membro da subcomissão que analisa caso do deputado do castelo

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Deputados nomeados para a subcomissão do Conselho de Ética responsável por analisar o processo disciplinar contra o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) acreditam que haverá pressão pela cassação. O parlamentar, que ficou conhecido por ser dono de um castelo milionário na Zona da Mata de Minas Gerais, será investigado por uso indevido da verba indenizatória.

"A cobrança já existe", disse o deputado Hugo Leal (PSC-RJ), um dos integrantes da subcomissão. "Mas tem que ter parcimônia. Ninguém vai ser arbitrário. Já perguntaram se vai acabar em pizza, e eu disse que prefiro assar uma pizza a colocar alguém na fogueira." O deputado ilustrou seu ponto de vista com exemplos históricos, lembrando as fogueiras da Inquisição e os fornos crematórios nazistas da Segunda Guerra Mundial.
  • Divulgação

    O castelo avaliado em cerca de R$ 25 milhões em MG é alvo de polêmica por não ter sido declarado à Justiça Eleitoral pelo então corregedor da Câmara dos Deputados, deputado federal Edmar Moreira


O deputado Ruy Paulleti (PSDB-RS) disse estar preparado tanto para pressões pela cassação com pela absolvição do deputado acusado. "Acho que haverá pressão nos dois sentidos, mas isso não deve influenciar o relator", afirmou. "Poderá ter pressão também por uma pena menor."

Paulleti se refere à possibilidade levantada pelo presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), de aplicar penas mais brandas a parlamentares, antes de se decidir pela perda do mandato. "Por enquanto, neste momento, sou pela cassação ou absolvição, porque eu acho que ou faltou com o decoro parlamentar, com a ética, ou não faltou. Mas vou acatar a decisão do presidente e do plenário."

Hugo Leal se diz favorável à chamada "dosimetria da pena". No caso do deputado Edmar Moreira, ele questiona a ilegalidade das ações do parlamentar. "Supondo que ele contratou a empresa dele, cometeu uma ilegalidade? Existe ou existia alguma restrição sobre isso? Se não existia restrição, é algo ilegal?"

Uma das acusações contra Moreira é que ele utilizou dinheiro da verba indenizatória em serviços de segurança particular de suas próprias empresas.

Os deputados disseram que vão analisar nos próximos dias o parecer da Comissão de Sindicância da Corregedoria da Câmara que apontou indícios de irregularidades no uso da verba indenizatória. O outro integrante da subcomissão do Conselho de Ética, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), disse que só falaria sobre o assunto depois de conhecer a documentação.

Para Hugo Leal, neste momento, Edmar Moreira tem "50% de chances de ser cassado". Depois de ser notificado sobre a instauração do processo, o deputado mineiro tem prazo de cinco sessões ordinárias para apresentar sua defesa.

O relator do caso na subcomissão do Conselho de Ética deverá ser definido apenas depois do feriado de Páscoa, na previsão de Paulleti. O deputado explicou que até lá o deputado deverá apresentar sua defesa e, a partir daí, serão ouvidas as testemunhas.

"Eu acho que vai ser um julgamento rápido. Acredito que não haverá necessidade de prorrogar o prazo de 90 dias para avaliar o caso", disse.

Uma reunião do Conselho de Ética está marcada para a próxima quarta-feira.

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