Trabalhadores da construção pesada paralisam obras públicas na Bahia

Luiza Torres Especial para o UOL Notícias Em Salvador

O mau tempo não impediu que cerca de 200 trabalhadores filiados ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Montagem Industrial do Estado da Bahia (Sintepav-BA) se reunissem em assembleia nesta quarta-feira, em frente ao Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e decidissem manter a greve iniciada na véspera.

Segundo a presidente da Força Sindical, Nair Goulart, 20 mil operários paralisaram o trabalho nas principais obras públicas do Estado, como o metrô de Salvador, o gasoduto Gasene, a Via Portuária, obras de irrigação, pavimentação e recapeamento de vias públicas e o emissário Jaguaribe.
  • Luiza Torres/UOL

    Cerca de 200 trabalhadores da construção decidiram manter greve iniciada ontem (14)

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    A prefeitura de Salvador pediu aos grevistas que retomem o trabalho de pavimentação na capital baiana



Goulart prevê que nesta quinta-feira o contingente de grevistas pode subir para 28 mil, caso os cerca de 8.000 trabalhadores da obra do gasoduto resolvam aderir ao movimento.

A prefeitura de Salvador pediu aos cerca de 3.000 trabalhadores em greve na capital baiana que suspendam a paralisação e retomem o serviço de pavimentação. "Com a paralisação das atividades dos trabalhadores da construção pesada, o serviço das 12 equipes coordenadas pela prefeitura e espalhadas pela cidade foi suspenso, interferindo na aplicação média de 200 toneladas de asfalto por dia. Hoje, os cerca de 80 homens, que compõem as equipes, atuariam na Paralela, Pituba, Boca do Rio, na Avenida Juracy Magalhães, dentre outros", diz a nota oficial assinada pelo prefeito João Henrique publicada nesta quarta-feira.

De acordo com Goulart, desde janeiro o Sintepav tenta negociar com o patronato. No total, foram realizadas 10 rodadas de negociações da Campanha Salarial 2009, com data-base em 1º de março. As principais reivindicações dos trabalhadores são: 14% de reajuste; cesta básica de R$ 130; pagamento de horas extras com adicionais variando de 60% a 130%, dependendo do dia da semana, contrato de experiência de 30 dias e assistência médica e odontológica.

Em nota, o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) não citou o número de trabalhadores em greve e afirmou que está oferecendo à categoria 7,25% de aumento, o que representa 1% de ganho real sob a inflação. "A porcentagem oferecida representa o máximo suportado pelas empresas, especialmente neste momento de crise financeira internacional, com escassez de crédito e a pré-fixação dos contratos já fechados com o governo", diz a nota.

Com relação às horas extras, na última convenção coletiva com o sindicato dos trabalhadores, para o período de 2008/2009, ficou estabelecido o pagamento de adicionais que variando de 50% a 100%.

O Ministério Público do Trabalho marcou uma audiência de conciliação entre representantes dos dois sindicatos para esta quinta-feira, às 8h30, na sede do MPT, no Corredor da Vitória.

Segundo o presidente Sintepav, Bebeto Galvão o setor da construção cresceu 8% em 2008 no Brasil; na Bahia, no primeiro semestre de 2008, o crescimento foi de 7,1%.

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