Greve de servidores fecha postos e unidades de saúde em Maceió

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Cerca de 50% das 72 unidades e postos de saúde de Maceió (AL) não prestaram atendimento à população nesta quinta-feira (16) por conta de uma greve de servidores da saúde da capital alagoana, segundo o sindicato da categoria. Segundo a prefeitura, a paralisação teve alcance menor: parou um quinto desta rede - os outros 80% funcionaram parcial ou totalmente, segundo a Secretaria da Saúde.

A decisão de paralisar as atividades foi tomada em assembleia na tarde de ontem (15). Os grevistas pedem um reajuste de 34,98%, enquanto a prefeitura oferece 5%. Entre as categorias de nível médio e superior, apenas os médicos não participam do movimento, mas eles devem votar na próxima quarta (22) se deflagram também uma greve. "A insatisfação na nossa categoria também é grande", diz o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington Galvão.

Maceió conta um corpo funcional 2.800 servidores na área da saúde, atendendo em 72 unidades -organizam também o atendimento dos médicos de família- e postos. Destes, segundo estimativas do Sindsaúde (Sindicato dos Servidores da Secretaria de Saúde de Maceió), filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), pelo menos 35 estão com todos atendimentos suspensos. Cerca de mil servidores teriam aderido à paralisação.

Por conta da greve, na manhã desta quinta-feira (16), houve tumulto no posto de saúde do maior bairro de Maceió, Benedito Bentes. Pacientes que chegaram de madrugada em busca de atendimento não conseguiram entrar e discutiram com os manifestantes que fecharam a unidade. O clima ficou tenso e só foi amenizado porque alguns servidores furaram a greve e conseguiram prestar atendimentos mínimos.

Em outros bairros, os atendimentos foram totalmente suspensos. Ainda nesta manhã, cerca de 150 servidores fizeram um protesto com faixas e carro de som em frente à Secretaria de Finanças. À tarde, os grevistas fizeram panfletagem no centro da capital alagoana para informar a população.

À espera de um posicionamento
Não houve avanço nas negociações. "Apenas ficou mantida uma nova rodada de paralisação para o dia 23. Ainda aguardamos um posicionamento", afirma o presidente do Sindsaúde, Valmir Gomes.

O município alega que não tem como conceder o reajuste pedido, já que houve queda na arrecadação e no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) nos últimos meses.

De acordo com o Secretário Municipal da Saúde, Francisco Lins, quase 100% do repasse da prefeitura destinado à saúde pelo município é utilizado para pagamento da folha. "Tem meses que fico com pouco mais de R$ 20 mil para custear a secretaria", diz.

Além de reajuste, servidores pedem melhor estrutura nos postos de saúde. "Existem locais sem existem condições de trabalho. Muitas vezes faltam luvas, remédios e vacinas", diz Gomes.

Outro problema seria a falta de segurança das unidades. "Na última segunda-feira (13), por exemplo, às 14h, três assaltantes invadiram e trancaram os servidores numa sala de um posto de saúde e roubaram todos os pertences. Essa unidade, mesmo que dêem o aumento que pedimos, só volta às atividades se contratarem pelos menos dois seguranças."

Crise
Maceió enfrenta, há nove meses, uma greve dos médicos do SUS (Sistema Único de Saúde). Todas as consultas e cirurgias eletivas estão suspensas. Os profissionais ameaçam pedir descredenciamento caso a tabela de procedimentos não seja reajustada pelo Ministério da Saúde ou complementada por Estado e municípios.

A greve gerou suspendeu de mais de 5.000 cirurgias no Estado este ano e foi responsável direta pela superlotação na maior urgência e emergência do Estado, inaugurada em setembro do ano passado. No primeiro bimestre, o Hospital Geral do Estado registrou um excedente de internações de 63%, o que corresponde à cerca de 150 pessoas a mais que a capacidade máxima do local, que hoje é de 240 leitos.

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