Em Maceió, médicos decidem sobre adesão à greve dos profissionais de saúde esta semana

Beatriz Arcoverde
Repórter da Rádio Nacional
Em Brasília

Cerca de 2.800 profissionais que trabalham nas 72 unidades de saúde de Maceió estão em greve desde a semana passada. Eles reivindicam reajuste de 34,9%. Até o momento, a administração municipal ofereceu 5%.

O secretário municipal de Saúde de Maceió, Francisco Lins, disse que as negociações estão abertas - uma nova reunião com os grevistas está prevista para o próximo dia 23 - mas, segundo ele, é impossível oferecer o aumento reivindicado.

Os médicos ainda não aderiram à paralisação, mas já marcaram uma assembleia para o próximo dia 23, na qual devem definir sua posição.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do estado, Wellington Galvão, "a saúde em Alagoas está um verdadeiro caos". Ele acredita que a categoria deve aderir à greve.

Os médicos que atendem pelo Programa Saúde na Família, atualmente, recebem, em média, R$ 4,7 mil por mês, referente a 40 horas semanais. Eles reivindicam salário base de R$ 5 mil e aumento de 100% na gratificação, o que elevaria os salários para R$ 7 mil.

Já os médicos que trabalham nas unidades de saúde e cumprem uma jornada de 20 horas semanais recebem salário base de R$ 1.117 e querem 100% de aumento.

No Estado, os médicos suspenderam os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) há nove meses. O presidente do sindicato dos médicos afirma que somente 7% da população tem plano de saúde.

"No caso das cirurgias eletivas [que não são feitas com urgência], somente 5% da demanda é atendida pelo Hospital Universitário em Maceió. Então 95% da demanda de cirurgias eletivas são feitas pela rede conveniada, ou seja, hospitais filantrópicos e privados. E estes médicos que atendem são apenas credenciados pelo SUS, mas não são empregados do estado, município ou União", afirmou.

"Os médicos reivindicam o aumento da tabela do SUS, no entanto, o governo federal explicou que a complementação da tabela deve ser feita pelos estados e municípios. É isto que a gente quer aqui em Alagoas, que o estado e os municípios complementem a tabela pelo menos em 100%, isso porque a defasagem da tabela de convênio fica entre 108% e 1600%."

Na semana passada o sindicato dos médicos protocolou uma reclamação no Ministério Público do Trabalho com relação à diferença salarial entre os concursados, que recebem mensalmente R$ 1.429, e os prestadores de serviço contratados, que recebem pelo menos três vezes mais pelo mesmo trabalho.

"Em 2007 o governo se comprometeu a implantar o Plano de Cargos e Carreiras, até maio de 2008, para regularizar o salários dos médicos, mas isso não aconteceu. Nós então fizemos uma proposta e, em agosto do ano passado, entregamos um projeto de Plano de Cargos e Carreiras. Entretanto, até agora, o estado não negociou com a categoria. Com essa situação, os médicos estão abandonando o serviço público", ressalta o presidente do sindicato.

Para agravar ainda mais o problema, a Maternidade Santa Mônica, que funciona em Maceió e é a única capacitada para atender grávidas com gestação de alto risco, pode ficar sem atendimento. A maternidade escola é administrada pelo governo do estado. Há um mês os médicos entregaram um documento com a relação dos pediatras e anestesistas que pretendem se demitir da maternidade.

"A entrega foi coletiva e anunciamos que se em 30 dias não houvesse a negociação do Plano de Cargos e Salários, as demissões individuais seriam entregues. O prazo venceu na última quinta feira (16). O governo do estado pediu uma reunião para esta segunda feira [ontem, 20], mas foi adiada", informou Wellington Galvão.

Sem negociação, a entrega das demissões individuais deve ser feita na próxima quinta-feira (23).

Wellington Galvão disse que já solicitou uma audiência com o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, e apresentou o problema ao presidente da Câmara dos Deputados, ao presidente do Tribunal de Justiça e aos representantes do Ministério Público.

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