Governador do AM prevê prejuízo de R$ 50 milhões com as cheias

Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em Una (BA)

  • EFE

    "O que nos preocupa é a seca depois das chuvas. A chuva não mata, ela desabriga e traz prejuízos econômicos. Na seca, vêm a água suja e as doenças. A situação fica trágica", diz o governador do Amazonas

O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), disse que as chuvas no seu Estado devem deixar um prejuízo de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões, e que terá de organizar uma "mobilização gigantesca" quando chegar o período de seca para evitar que a água suja não propague doenças como malária e leptospirose, deixando a "situação trágica".

Braga falou ao UOL Notícias na terça-feira (20) à noite, após participar de um seminário sobre sustentabilidade ambiental num encontro de empresários e políticos realizado na ilha de Comandatuba, no município de Una, na Bahia. No seminário, Braga discutiu como o país e o Amazonas devem pleitear a remuneração pela manutenção das florestas que realizam sequestro de CO2 da atmosfera.

UOL - Como está a situação do Amazonas agora?
Eduardo Braga -
Os rios estão 2,30 metros acima da média histórica para a época. Mantida as chuvas, nós podemos ter a maior enchente dos últimos cem anos. São 6.000 famílias desabrigadas, outras 14 mil em risco.

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UOL - Há risco de termos mortos como em Santa Catarina?
Braga -
Não. Ali [em SC] não foi a enchente, foi uma certa falta de política de contenção. O que acontece na Amazônia é uma mudança no regime hidrológico, que está sendo alterado pelo aquecimento global. Em 2005, tivemos uma seca como nunca havíamos tido antes. O que nos preocupa é a seca depois das chuvas. A chuva não mata, ela desabriga e traz prejuízos econômicos. Na seca, vêm a água suja e as doenças [como malária e leptopirose] e a situação fica trágica.

UOL - O senhor tem valores que indiquem esse prejuízo?
Braga -
São 14 municípios, o prejuízo econômico deve ficar por volta de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões. Nós já disponibilizamos R$ 6 milhões, devemos conseguir mais R$ 4 milhões e estamos esperando o governo federal fazer seus cálculos e ver com quanto pode ajudar. Na seca é que teremos de fazer uma mobilização gigantesta.

UOL - Quando devem acabar as cheias?
Braga -
Gostaria que fosse amanhã. As previsões não são das mais otimistas, mas só temos segurança para três dias. As previsões dos órgãos oficias como ANA (Agência Nacional de Águas) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) não são otimistas. Eu também confio no conhecimento tradicional, de caboclos e índios, que acham que vai começar a descer rápido. Espero que estejam certos. Mas agora não dá para prever.

UOL - Que medidas o governo já tomou?
Braga -
Nós cadastramos os desabrigados e demos às famílias cartões com R$ 300 em crédito para eles usarem imediatamente, como acharem melhor. Também estamos mobilizando Exército, Marinha e Aeronáutica. Vamos cadastrar os outros que estão em risco de ficarem desabrigados e levantando o prejuízo.

UOL - A cheia causa prejuízos ambientais?
Braga -
Não, a cheia é, paradoxalmente, vida. Ela traz água limpa. A supercheia causa desconforto. O prejuízo não é econômico, é humano.


Veja abaixo os municípios que foram atingidos pela cheia do rio Amazonas


O jornalista Haroldo Ceravolo Sereza viajou a Una (BA) a convite da organização do Fórum Empresarial de Comandatuba

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