Presos fogem de cinco delegacias de AL no feriado; secretário quer decretar emergência na segurança pública

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

O feriado prolongado foi marcado por fugas nas delegacias do Estado de Alagoas. Do sábado (18) até esta terça-feira (21), 24 detentos escaparam de cinco carceragens na capital (Maceió) e no interior do Estado. Dois deles foram recapturados e um se apresentou espontaneamente à polícia. Somente este mês, 56 presos escaparam em seis fugas de delegacias de Alagoas, e a Secretaria de Defesa Social já pediu a decretação de emergência na segurança pública.

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    Buraco feito por presos ajudou seis detentos a fugirem de delegacia em Maceió

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    Túnel de 40 metros dentro do presídio Cyridião Durval foi descoberto por agentes penitenciários no sábado (18)


Em Maceió, a Delegacia de Plantão 3, no bairro histórico de Jaraguá, foi palco de uma fuga inusitada. Seis presos fizeram um buraco na parede e escaparam, na tarde de terça. Os policiais de plantão alegam não terem ouvido ou visto movimentações suspeitas na cela onde estavam oito presos - dois deles permaneceram no local.

Os seis detentos pularam o muro da delegacia, que fica em frente à avenida mais movimentada do bairro, e fugiram pelos quintais das casas vizinhas. Em Palmeira dos Índios, quatro presos escaparam também na terça, através de um buraco na parede.

Na região metropolitana de Maceió, outros seis presos da delegacia de Marechal Deodoro escaparam, na manhã de sábado, após serrarem as grades e renderem o único agente de plantão. Na fuga, eles ainda roubaram duas canoas e fugiram pela lagoa Manguaba, que margeia a cidade, em direção à cidade de Maceió. Os dois recapturados integravam o grupo.

Na cidade de Viçosa, seis presos aproveitaram o banho de sol do sábado para escaparem pelo telhado da delegacia. Um deles se arrependeu e se apresentou à Polícia Civil logo depois. Neste caso, além da fuga, os detentos ainda levaram armas da delegacia. Já em Capela, dois presos também fugiram da delegacia local no domingo.

Duas fugas já haviam ocorrido neste mês
Antes das fugas durante o feriadão, outras duas aconteceram este mês. No dia 6/4 ocorreu a maior delas: 30 detentos escaparam pela porta da frente da delegacia de Penedo. Na última quinta (16), três presos deixaram a delegacia de Cajueiro pela porta da frente, sem serem percebidos pelos agentes de plantão.

Além dessas fugas, três túneis já foram encontrados no presídio Cyridião Durval (que abriga presos condenados) este mês. O último deles, encontrado sábado (18), tinha 40 metros de extensão e já dava acesso ao bairro residencial vizinho. Foi o segundo maior túnel já descoberto na história do sistema prisional. Por ele, poderiam fugir 80 presos de alta periculosidade.

Delegacias não têm estrutura adequada
As fugas e descoberta de túneis acontecem num momento de discussão sobre a permanência de presos nas delegacias. Sem estrutura para abrigar detentos, muitos prédios já tiveram pedido de intervenção acatado pela Justiça, sem o cumprimento da decisão por parte do Estado.

O delegado-chefe da Polícia Civil, Marcílio Barenco, reconhece a fragilidade e os problemas das delegacias. Ele reconhece que a situação "é precária, de risco, e o número de presos é alarmante". "Esse é um problema que não é nosso. São presos da Justiça, não da Polícia Civil. Precisamos resolver essa situação. Estamos discutindo, mas a definição precisa de investimentos, e isso não cabe a gente", assegurou o delegado.

Sem condições de abrigar os 650 presos que hoje superlotam as delegacias do Estado, Barenco afirma que uma solução está na desativação completa das carceragens. "Toda vez que transferimos os presos e desocupamos uma carceragem, nós a desativamos. Se eu a deixar ativa, amanhã vai ficar cheia de novo. Já desocupamos quatro e vamos fazendo isso aos pouquinhos."

Mesmo reconhecendo que não é atribuição do policial civil custodiar presos, o delegado-chefe abriu sindicância para averiguar se houve negligência de algum agente de plantão na hora das fugas. "Os policiais civis devem estar nas ruas. Não é possível que só Alagoas mantenha esses presos em locais sem estrutura adequada", disse Marcílio Barenco ao UOL Notícias.

Segundo o Estado, a solução para o problema das delegacias está na decretação de situação de emergência da segurança pública. E o secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, já solicitou isso. O texto foi aprovado pela Procuradoria Geral do Estado e está no Gabinete Civil do governo, esperando a sanção do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

"Esse decreto vai possibilitar que o Estado ganhe tempo e evitar um processo de licitação de obras, que poderia durar até um ano para ser analisado, iniciado e executado. Com ele, isso pode ser feito em cerca de duas semanas", disse Rubim. O decreto também deve garantir reformas no sistema prisional, abrindo assim mais vagas nos presídios e transferindo presos das delegacias.

Fugas são "retrato da falência"
Para o presidente da Associação de Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol), Antônio Carlos Lessa, as fugas dos últimos dias são "o retrato da falência da segurança pública no estado". Lessa critica a manutenção de presos em prédios sem estrutura, o que resulta num aumento no índice de criminalidade. "Delegacia não é lugar para preso. O Policial Civil não tem o treinamento de custodiar presos. O Estado tem que resolver isso de forma rápida."

Segundo o delegado, a Adepol solicitou há dois meses a interdição de seis delegacias - em duas delas, houve fugas este mês - Penedo e Palmeira dos índios. "Por conta desses problemas, os inquéritos se amontoam nas delegacias sem que os agentes possam ir às ruas investigar. Assim o criminoso sabe que não será nunca condenado", afirmou o delegado.

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Alagoas, Omar Coelho, alega que as delegacias alagoanas "já deveriam ter sido fechadas pela saúde pública". "Elas não têm as mínimas condições, são precárias. O problema é que se a Justiça agir e fechar as delegacias, a situação vai ficar ainda pior. O Estado precisa é investir e construir locais dignos para abrigar os presos", analisou.

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