Pobre e classe média trocam de profissão e de país atrás de emprego

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em Diadema (SP)

O município paulista de Diadema e a província canadense de Québec oferecem empregos em uma época em que só se fala em demissões em massa. Mas os dois exemplos, um entre os trabalhadores pobres e o outro entre os de classe média, mostram que há oportunidades no meio do pessimismo.




A rede norte-americana de varejo Wall Mart vai abrir duas unidades na cidade paulista, e as 65 vagas atraíram mão-de-obra especializada de açougueiros, padeiros e farmacêuticos, mas também um exército de operários sem qualificação. "Busco meu primeiro emprego justo agora que tem um monte de gente com experiência e sem trabalho", se resigna Viviane Balbino, que se candidatou a uma vaga de caixa do supermercado.

Outro exemplo é a metalúrgica Valdicélia Santos, que teve que abandonar a linha de montagem e pode ter pela frente vários corredores de gôndolas. "É pela precisão que eu estou atrás desse emprego. Gosto mesmo é da fábrica: você trabalha tanto que nem vê o tempo passar", diz a baiana de Feira de Santana.

Já os desempregados com experiência encontram vagas com salários menores. "Os patrões aproveitam para achatar a folha de pagamento. Demitem quem tem mais tempo de casa e melhor salário, mas chamam novatos para ganhar piso salarial", conclui Rosângela Faria, que trabalhou em um supermercado concorrente por 11 anos e está há seis meses desempregada.

Já a promessa para quem consegue migrar legalmente para o Québec é arrumar um trabalho em seis meses e triplicar os honorários. A província francófona do Canadá quer atrair 230 mil profissionais nos próximos anos. Lá há um déficit populacional, pela baixa taxa de natalidade (1%) diante do crescimento econômico constante (3%) - o temor também é que a região perca peso político diante do restante do país anglófilo.

"Os brasileiros não formam guetos e são muito flexíveis na relação com os canadenses. Fora isso, tem boa formação educacional", afirma Soraia Tandel, diretora do escritório de imigração do Québec em São Paulo - há unidades similares em localidades como Damasco, Hong Kong, Paris, Viena e Cidade do México.

Ela dá palestra para os interessados em morar no topo do continente americano. "As perguntas mais comuns são sobre o frio e sobre o perfil de trabalhador procurado. O país precisa essencialmente jovens até 35 anos, com conhecimento de francês e um nível técnico ou universitário. Se tiver filhos, melhor", explica Tandel (para ter mais detalhes do programa de imigração, acessar www.imigracao-quebec.ca).

Entre os escolhidos para ter uma vida canadense está Sílvia Sanches e seu noivo Renato. "Sou apaixonada pelo país. Vou morar na cidade de Québec, que parece uma casa de boneca de tão bonita", se entusiasma a secretária trilingue com a viagem de setembro. Ela avisou o patrão nesta quinta. Seu noivo nem isso fez ainda. Eles só querem ter filhos canadenses e desfrutar da tranquilidade de lá.

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