Santa Catarina enfrenta, ao mesmo tempo, seca e excesso de chuvas

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Em Santa Catarina, a situação é paradoxal: enquanto as cidades do Meio-Oeste, Oeste, Norte e Planalto Serrano enfrentam seca há dois meses, os municípios do litoral voltam a viver o pesadelo das enchentes. Em novembro de 2008, 135 pessoas morreram nas maiores cheias registradas no Estado.

Chuvas também atingem AM

  • Alberto César Araújo/AE

    Em Manaus, moradores de bairros às margens ribeirinhos enfrentam forte cheia do rio Negro



A Defesa Civil informou nesta sexta-feira (24) que 66 municípios de Santa Catarina permaneciam em situação de emergência por causa da falta de chuvas. Em algumas cidades, a situação se prolonga desde janeiro.

De acordo com o diretor da Defesa Civil do Estado, major Márcio Luiz Alves, o maior prejuízo provocado pela estiagem é na agropecuária, principal atividade econômica das regiões atingidas. Segundo dados do Centro de Socioeconomia Agrícola de Santa Catarina (Epagri), a quebra na safra de leite chega a 25%.

A estimativa com a quebra da safra de milho, por sua vez, é de 10%. Na maior cidade do Oeste catarinense, Chapecó, a falta de água já causou prejuízo de R$ 11,5 milhões no setor agropecuário, segundo a Secretaria de Agricultura do município. As maiores perdas estão na safrinha do milho, com 50%, e na soja, com 30%. Há perdas contabilizadas também no feijão, fumo, laranja, bovinocultura de corte e hortaliças.

A chuva, por sua vez, deixava 3.539 pessoas desalojadas ou desabrigadas no Estado até as 18h desta sexta-feira. Pelo menos dez municípios catarinenses sentem os efeitos da chuva, incluindo a capital, Florianópolis. Nenhuma pessoa morreu.

No Vale do Itajaí, as cidades de Penha e Governador Celso Ramos já decretaram situação de emergência. Somente em Governador Celso Ramos, 2.000 pessoas precisaram deixar suas casas e buscar abrigo em prédios públicos ou na casa de parentes.

A chuva forte dos últimos dias também provocou estragos em ruas e estradas do município. Dois postos de saúde foram alagados, e a queda de uma ponte deixou isolada uma comunidade no balneário de Armação da Piedade. A prefeitura calcula que precisará de R$ 5 milhões para recuperar a estrutura urbana danificada.

Equipe técnica da Defesa Civil Estadual ainda realiza vistorias nos municípios atingidos para avaliar os estragos e prestar o auxílio necessário. "Iremos aguardar as demandas dos municípios para estudar como podemos ajudar e estamos dando assessoria técnica quanto a procedimento e apoio", disse Alves.

Segundo a Epagri, na região da Grande Florianópolis choveu em um dia o que chove o mês inteiro. Entre as 9h de terça-feira (21) e as 9h de quarta-feira (22), o acumulado foi de 148,4 mm, o que superou a média mensal de 145,9 mm - um recorde.

A Defesa Civil alerta que ainda há riscos de chuva forte na faixa Leste do Estado no sábado (25), especialmente sobre o Vale do Itajaí. O vento vai se intensificar, podendo produzir rajadas de até 70 quilômetros por hora.

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