Pastoral aponta diminuição dos conflitos agrários, mas número de mortes se mantém

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Comissão Pastoral da Terra, entidade ligada à Igreja Católica, divulgou nesta terça que houve em 2008 uma queda acentuada no número de conflitos agrários. O número de mortos, no entanto, se manteve o mesmo que o de 2007: 28 vítimas.

Em 2007, computou-se 1 morte para cada 54 conflitos. Já em 2008, há uma vítima fatal para cerca de 42 conflitos (no total, foram 1.170 conflitos em 2008).

Levantamento da violência no campo (fonte: CPT)

Ano1999200020012002200320042005200620072008
Conflitos983660880925169018011881165715381170
Mortes27212943733938392828


Os dados mostram ainda que 72% dos assassinatos em conflitos no campo aconteceram na Amazônia e que mais da metade dos conflitos atingem diretamente as populações tradicionais, deixando claro o interesse de latifundiários e grileiros sobre os territórios ocupados anteriormente, segundo a CPT.

O Pará foi o Estado com maior número de conflitos no campo, de assassinatos (passando de 5 em 2007 para 13 em 2008), de tentativas de assassinatos, de ameaçados de morte, de famílias expulsas ou despejadas.

Os dados dos conflitos e da violência no campo brasileiro, relativos ao ano passado, foram divulgados em entrevista coletiva realizada em Itaici, Indaiatuba (SP), onde se desenrola a 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Menos conflitos e o mesmo número de homicídios em atritos rurais apontam, por outro lado, que aumentou a letalidade em relação ao ano de 2007 (confira a estatística dos últimos dez anos ao final deste texto).

A CPT ainda fez uma análise do conflito agrário em comunicado à imprensa. Segundo a comissão, "2008 foi marcado por uma nova onda de criminalização dos movimentos sociais do campo e de suas lideranças". "Essa investida", continua o documento, "se deu nas diferentes esferas do poder público. Em alguns Estados, houve repressão violenta por parte da polícia".

Em outro trecho, o texto aponta que o Poder Judiciário foi a esfera em que "se sentiu de forma mais dura esta tentativa de criminalização".

"O destaque para este ataque sistemático aos movimentos fica com o Rio Grande do Sul, onde além da truculência da polícia e das medidas judiciais, entra em cena o Ministério Público Estadual (MPE), cujo Conselho Superior chegou a propor nada mais, nada menos do que a extinção do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra]", criticou a entidade católica.

Enquanto no resto do país o número de conflitos diminuiu, em território gaúcho, governado pela tucana Yeda Crusius, todos os dados apresentaram aumento, seja o número de conflitos (de 32 para 33), de famílias envolvidas nesses atritos (de 3875 para 4934), o de famílias despejadas (de 940 para 1954), o de famílias expulsas (de 0 para 60), o de pessoas presas (de 15 para 19), o de pessoas agredidas (de 54 para 328), o de pessoas ameaçadas (de 1 para 3) e o de assassinatos (de 0 para 2).

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