Zona de risco, Porto Alegre vive dia de vacinação em massa contra febre amarela

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

Atualizada às 18h00

Centenas de pessoas formaram filas na manhã desta quarta-feira (29) para se vacinar contra a febre amarela em Porto Alegre, depois que a cidade e outros 16 municípios da região metropolitana passaram a integrar a área de risco da doença. Balanço da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado no final da tarde, indica que mais de 7.000 pessoas haviam se vacinado até as 17h nos 19 postos que ofereciam imunização.

Centenas formam filas para tomar vacina

  • Emilio Pedroso/Ag. RBS

    Em Porto Alegre, mais sete postos de saúde receberam doses de vacina contra a doença, que se alastra pelo Rio Grande do Sul desde outubro do ano passado. Estratégia é criar um cinturão de imunização, diz secretário municipal da Saúde



O número de um dia representa quase 20% do total de imunizações realizados na cidade desde janeiro, quando a febre amarela voltou a ser registrada no Rio Grande do Sul. Desde então, 40 mil pessoas haviam sido vacinadas em Porto Alegre. Desde 1966 que o Estado não contabilizava casos da doença. Com a inclusão da região metropolitana entre as áreas de risco, a expectativa das autoridades sanitárias é de vacinar cerca de 5 milhões de pessoas no Estado.

O secretário municipal de Saúde, Eliseu Santos, disse que a estratégia é criar um cinturão de imunização para proteger a população rural da cidade, mais vulnerável à transmissão da doença.

Com a inclusão de Porto Alegre como zona de vacinação, ocasionada pela morte de dois macacos na cidade vizinha de Guaíba, a procura pela imunização aumentou nos postos de saúde. Pela manhã, extensas filas se formaram em frente ao posto Modelo, um dos mais centrais da cidade. Com uma procura normal de 400 pessoas por dia antes da zona de risco, a unidade teve de distribuir senhas para organizar a procura pela vacina.

Em quatro horários distintos do dia, a direção do posto distribuiu 800 senhas para garantir a vacinação. Quem não conseguiu se vacinar teve de buscar outro posto ou deixar para voltar no dia seguinte. A representante comercial Déa Ferlauto, 45, estava desde às 10h30 à espera de imunização. "Tenho parentes no interior e estou assustada", disse a autônoma. Ela conseguiu a senha de número 151, do lote que começou a ser distribuído às 12h.

Vacinado há dois anos, o engenheiro Eugênio de Moura, 38, levou a namorada para ser imunizada. Eles pretendem viajar ao interior do Estado de férias, em julho, para visitar amigos e parentes. "Não há como negar uma certa apreensão", disse Moura. Mas em função do movimento no posto, a namorada do engenheiro, Samantha, 29, não conseguiu ser atendida.

A vacina leva dez dias para fazer efeito e pode causar danos colaterais, como dores de cabeça e dores pelo corpo. Em pessoas portadoras de doenças que afetam o sistema imunológico, como câncer e Aids, a vacinação não é recomendada. Desde que o governo gaúcho iniciou a imunização em massa, duas pessoas morreram por reações adversas à vacina.

O secretário estadual de Saúde, Osmar Terra, procurou passar tranquilidade à população e disse que, para quem reside na área urbana de Porto Alegre, o risco de contrair a doença é praticamente zero. Terra lembrou que os 18 casos de febre amarela registrados desde janeiro deste ano no Estado foram contraídos em zonas de mata fechada e por pessoas sem vacinação. Sete delas morreram.

No feriado de 1º de maio, oito unidades de saúde de Porto Alegre permanecerão abertas para intensificar a aplicação de vacinas. As unidades se localizam em áreas de risco, especialmente no extremo sul da capital e nas ilhas que formam o delta do Guaíba. Só a partir de segunda-feira (04) é que os postos centrais passarão a fazer vacinação em massa. No total, serão 150 unidades com vacinas disponíveis.

Cerca de 1,6 milhões de pessoas deverão ser imunizadas na região metropolitana. A secretaria da Saúde estima que até o fim de semana deverá vacinar 300 mil habitantes das área de risco de Porto Alegre. Também entraram na campanha de vacinação as cidades de Alvorada, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Cachoeirinha, Canoas, Charqueadas, Eldorado do Sul, Gravataí, Guaíba, Mariana Pimentel, São Jerônimo, Sertão Santana e Viamão.

A febre amarela voltou ao Rio Grande do Sul, que não registrava casos desde 1966, no final de 2008, quando um agricultor de Santo Ângelo morreu em função da doença. O caso só foi confirmado em janeiro de 2009, mas desde outubro do ano passado as autoridades sanitárias monitoravam casos da doença entre bugios. Até janeiro, 395 macacos haviam morrido em 45 cidades gaúchas, localizadas nas regiões Norte e Noroeste.

A partir daí, começou a vacinação e os alertas de risco para as populações que moram em áreas rurais próximas a matas, córregos e leitos de rio. Na primeira semana do ano, mais de 100 cidades já faziam parte da zona de risco. Balanço da Secretaria de Saúde do Estado aponta que 1,6 milhão de vacinas já tinham sido aplicadas até o último dia 22 de abril.

A doença, em cinco meses, evoluiu para 136 municípios gaúchos. Com a imunização da área metropolitana, a estimativa da Secretaria de Saúde do Estado é de que metade da população gaúcha seja vacinada. Desde março não é registrado um novo caso da doença entre humanos no Estado.

Unidades de Porto Alegre que estarão abertas no feriado de 1º de maio:
PSF Ilha dos Marinheiros - Rua Sra. Rita de Cássia s/nº
PSF Ilha da Pintada - Avenida Presidente Vargas, 390
UBS Macedônia - Avenida Macedônia, 236
UBS Lami - Rua Nova Olinda, 202
UBS Panorama - Estrada João de Oliveira Remião, 6.505
UBS Belém Novo - Rua Florêncio Farias, 195
UBS Restinga - Rua Abolição, 850
Pronto-atendimento Lomba do Pinheiro - Estrada João de Oliveira Remião, 5.120

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