Chuvas deixam Maceió com 172 áreas em risco; 4 pessoas morreram e 60 estão desalojadas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
em Maceió

As chuvas que caem na Região Metropolitana de Maceió (AL) desde a última quinta-feira (30) deixaram um saldo de quatro mortes, 60 pessoas desalojadas e dezenas de casas e ruas destruídas. Segundo levantamento da Defesa Civil de Maceió, a chuva elevou o estado de alerta do órgão, já que 172 áreas na capital alagoana estão classificadas como de "risco muito alto".

São Luís tem abril mais chuvoso em 24 anos

A cidade de São Luís, no Maranhão, teve o mês de abril mais chuvoso dos últimos 24 anos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a capital maranhense recebeu 707,6 mm de chuva no quarto mês do ano, sendo que a média para o período é de 472,6 mm. Nos registros do Inmet, o maior volume de chuvas em abril para São Luís havia sido de 801,9 mm, em 1985

Neste sábado e domingo, a chuva caiu com menor intensidade, mas a previsão do departamento de Meteorologia da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) aponta para a possibilidade de um novo temporal nesta segunda-feira.

Ao todo, 570 pontos da cidade são considerados de risco. "Entre a noite de quinta e sexta, choveu no litoral 105mm, quando a previsão apontava para 17mm. Para esta segunda, a previsão é de 14mm. Então, estamos trabalhando em regime de plantão", afirmou o coronel Almeida, coordenador da Defesa Civil de Maceió.

Ainda na capital, duas avenidas na parte baixa da cidade estão com trânsito interrompido por conta de crateras abertas pelas chuvas. Dezenas de prédios de luxo tiveram as garagens invadidas pela água, danificando os veículos.

Alegando falta de ações para conter tragédias, a Defensoria Pública do Estado anunciou neste domingo que vai ingressar com uma ação civil pública contra a Prefeitura de Maceió. "Se as pessoas não quiserem sair de onde estão, é dever da prefeitura retirá-las a força. O que não pode é deixar que elas morram ou apenas recomende que elas saiam dos locais e vão morar na casa de familiares. Temos que defender o bem maior do ser humano, que é a vida", afirmou o defensor Ricardo Melro, em entrevista à imprensa.

Na sexta-feira, três pessoas que moravam em áreas de risco de Maceió morreram soterradas por conta de deslizamentos de barreiras. As vítimas foram uma mulher grávida, uma criança de um ano e uma idosa com idade aproximada de 100 anos.

Comunidades ilhadas
Além da capital, outra cidade da região metropolitana enfrenta problemas por conta da chuva. Em Coqueiro Seco os dois acessos à cidade - um deles vicinal - apresentaram trechos de interrupção, deixando comunidade ilhadas. As viagens dos ônibus para localidades como a comunidade Cadoz, onde foi registrada uma morte por soterramento na sexta-feira, foram suspensas. Como a cidade é banhada pela lagoa Mundaú, parte da população que precisou se deslocar apelou para o transporte de barcos.

Por conta da chuva, a Defesa Civil do Estado dobrou o número de oficiais de plantão. "Aumentamos a equipe para quase 200 homens, inclusive com o pessoal que estava de folga. Além disso, nosso contingente está em alerta e reforçado nas diversas áreas de risco que existem na capital", afirmou o coordenador e comandante do Corpo de Bombeiros de Alagoas, Jadir Ferreira.

Por conta da previsão de chuva, o coordenador faz um apelo à população: "É preciso que as pessoas entendam que existem prioridades nessas horas. Há gente que mora em ruas que estão apenas inundadas e que não oferecem o mesmo risco que se tem de pessoas que habitam áreas próximas de barreiras", explicou.

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