Médicos de Maceió param atendimento no programa de saúde da família, ambulatórios e postos; população reclama

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Depois de quase um mês de negociações fracassadas com a prefeitura, os médicos de Maceió entraram em greve nesta segunda-feira (4) por tempo indeterminado. A paralisação atinge os postos de saúde, ambulatórios e programas de saúde da família (PSF). O movimento gerou reclamações da população que não conseguiu atendimento. Os médicos reivindicam aumento nos salários e melhores condições de trabalho.

  • Carlos Madeiro/UOL

    Djanira Gomes e Edite de Lima mostram requisições para consulta em posto de saúde

Na capital alagoana há 72 unidades de saúde da rede pública municipal, que atendem a mais de 800 mil pessoas. A paralisação amplia a crise iniciada com a greve do Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas, iniciada há 10 meses. Desde julho de 2008, cerca de 12 mil cirurgias deixaram de ser realizadas no Estado.

Os médicos têm duas reivindicações salariais diferentes. Os servidores que atendem em ambulatórios pedem um reajuste de 100%. Já os médicos do PSF querem um salário-base de R$ 5.000 e o retorno da gratificação de 100%, que foi reduzida para 42% neste ano. Além disso, os profissionais pedem melhores condições de trabalho. A prefeitura alega que não tem recursos para conceder o reajuste pedido neste momento e tenta decretar a ilegalidade do movimento.

Protesto
A falta de médicos gerou protestos da população, que costuma chegar cedo às unidades de saúde da capital alagoana. No posto de saúde do Pinheiro, na periferia da cidade, os pacientes reclamaram da falta de informação sobre a greve.

Maria Leite da Paz, 36, começou cedo a peregrinação. Antes das 6h, foi ao posto de saúde do bairro da Pitanguinha, onde mora, mas foi informada de que não haveria atendimento; a mesma informação foi repassada no Pinheiro. "Veja que absurdo: eu andei quase meia hora. Marquei a consulta com um clínico na quinta (30) e ninguém me avisou que não teria médico. É muita falta de respeito", afirmou a paciente.

Em busca de atendimento de um reumatologista, Djanira Gomes, 66, sofre com uma artrose. Portando os exames que conseguiu fazer após quase um ano de "dores insuportáveis nos pés", ela se queixava: "Quero saber o que vou fazer com esses exames sem um médico. Tem que dar um jeito, porque se for assim, se precisar me operar, vou esperar uns dez anos."

Também precisando de tratamento para uma artrite, Edite de Lima, 55, lamentou não ter sido informada sobre a greve. Ela tentava marcar uma consulta nesta segunda-feira. "Tenho dores muito fortes e não sei se aguento esperar muito por um atendimento."

Adesão
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão, a greve tem adesão de praticamente todos dos profissionais. "Temos raríssimas exceções, que são os médicos que são chefes de postos. Mas até o fim da semana vamos conscientizá-los, pois furar esse movimento é um ato antiético. Espero não precisar representar ninguém no CRM (Conselho Regional de Medicina)", disse.

Galvão afirma que há médicos que ganham R$ 1.117. "Esse é o salário bruto, quando vem para o bolso do profissional fica menos de mil reais. Maceió é a capital do Brasil que paga os piores salários do Nordeste", informou o sindicalista.

Sobre a greve do SUS, Wellington Galvão afirma que não há avanços nas negociações. "Continua tudo parado. Os pedidos de descredenciamento estão assinados e vamos decidir quando entregar", garantiu.

Ilegalidade
O secretário de Saúde de Maceió, Francisco Lins, confirma a adesão de quase 100% dos médicos, mas acredita que a greve é ilegal. "Essa paralisação nos causa estranheza. Demos um reajuste de 13% a todas as categorias da saúde e os médicos foram contemplados. Já comunicamos o caso à Procuradoria do Município para que tome as providências, pois o reajuste dado foi superior à inflação", afirmou.

Segundo ele, a crise econômica reduziu a arrecadação do município e os repasses da União, o que fez a secretaria cortar o custeio. "Demos um reajuste ousado, que nenhuma outra capital deu. É preciso bom senso da categoria. Sou médico, sei que os salários estão defasados, mas esse não é o momento de fazer um pedido desses", argumenta.

Essa é a segunda greve do setor de saúde no município de Maceió em menos de 30 dias. No mês passado, os servidores de nível médio e superior (exceto os médicos) chegaram a fechar metade dos postos de saúde e unidades do PSF para cobrar reajuste salarial. A greve durou três dias, e os servidores aceitaram o reajuste de 13% proposto pela prefeitura.

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