Brasil não deve precisar de medicamentos da OMS, diz representante

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Em entrevista na noite desta terça-feira (5), o gerente da unidade de prevenção e controle de doenças da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) afirmou que o Brasil não deverá recorrer ao estoque de medicamentos antiviral da OMS (Organização Mundial da Saúde). Rubén Figueroa considera que a quantidade de medicamento que o Ministério da Saúde informou possuir será suficiente para tratar os casos suspeitos da nova gripe A(H1N1).

"O Brasil tem seus estoques tanto de comprimidos já produzidos e prontos para a distribuição como de matéria-prima para continuar a produção. Se necessitar de uma quantidade maior, os estoques (da OMS) estariam disponíveis para o Brasil, mas achamos que não será necessário."

À tarde, o diretor de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, José Agenor Álvares da Silva, havia dito que o Brasil "esperava para saber qual o quantitativo (de medicamentos) que eles (OMS) têm disponível e qual o quantitativo que poderão ceder para nós". "Mas, independente de qualquer coisa, temos estoque de medicamentos prontos, temos acertos com a Roche para comprar mais, e temos todos aqueles medicamentos que podem ser produzidos por Farmanguinhos", completou o diretor da Anvisa, referindo-se ao laboratório da Fiocruz que pode desenvolver o antiviral.

O representante da OMS no Brasil afirmou que a organização tem cerca de 5 milhões de tratamentos em estoque, sendo que pouco mais de 2 milhões seriam distribuídos para os países que mais precisassem. "Independente disso, a Opas tem 400 mil tratamentos em estoque no Panamá (considerado um ponto geográfico estratégico). E já começou a distribuição para os países pobres, mais necessitados, que por diversas circunstâncias previram uma quantidade muito pequena de Tamiflu, como é o caso de Bolívia, Peru, Haiti, Guatemala."

O Chile e Uruguai, que não estariam na lista inicial de distribuição do medicamento, teriam solicitado porque suas previsões de estoque foram superadas.

Sem previsão para chegada do kit diagnóstico
O gerente da Opas disse que a organização "não tem confirmação" sobre quando o Brasil receberá o kit que permitirá o desenvolvimento do exame que diagnostica a presença do vírus da nova gripe. A Anvisa afirmou durante a tarde que a previsão é que o material chegue nesta quarta-feira. "A informação que temos é que vai chegar amanhã de manhã. Mas isso não depende de nós, depende de Atlanta encaminhar para nós", disse Agenor Álvares.

Questionado sobre qual o motivo da demora para entrega dos kits, Figueroa disse que, em sua opinião, a resposta pode estar na logística de distribuição pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention), órgão de saúde do governo americano que fica em Atlanta, Geórgia. Ele exemplificou sua opinião dizendo que o centro solicitou hoje ao Brasil o número do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) dos três laboratórios que receberão o kit no país. A informação, segundo ele, já tinha sido enviada, mas foi solicitada novamente. "Achamos que seria uma questão apenas de logística, em termos de segurança do embarque, para realmente assegurar que (o kit) saiu e chegou, para que não fique fora de controle."

Nas Américas, 31 laboratórios estão credenciados para receber os kits, incluindo os três do Brasil - Adolfo Lutz (São Paulo), o Evandro Chagas (Belém) e Fiocruz (Rio de Janeiro). Nenhum recebeu o kit até agora, de acordo com a Opas. No entanto, os países também podem produzir seus próprios kits a partir da informação sobre o genoma que já foi disponibilizada pela OMS. "Deve estar em pleno andamento a produção de kits no Brasil, mas não é uma coisa rápida", afirmou Figueroa.

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