Chuvas provocam três mortes e deixam ao menos dois desaparecidos em Salvador

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Três pessoas morreram na tarde desta terça-feira (5), em Salvador, em consequência da forte chuva que caiu sobre a cidade desde a madrugada. Elas foram vítimas do desabamento de um imóvel na travessa 1° de Janeiro, no bairro de Pirajá. Pelo menos outras duas pessoas estão desaparecidas, a menina Beatriz Santos, 6, e sua mãe, que não teve o nome revelado. Elas teriam caído em um buraco, sendo arrastadas pela água.

Situação de alerta na Bahia

  • Arestides Baptista/Agência A Tarde/AE

    Fortes chuvas que atingem a cidade de Salvador, na Bahia, desde o fim de semana, deixaram ruas alagadas nesta manhã. Na foto, trecho intransitável da avenida Centenário. Mais chuvas agravam situação também em outros Estados do Nordeste

De acordo com Corpo de Bombeiros e Defesa Civil, três casas desabaram no bairro de Pirajá. Seis moradores que estavam em dois imóveis conseguiram escapar, com ferimentos leves. Na terceira casa, porém, a força da água soterrou Leandro Rocha, 20, Walter Júnior, que não teve a idade revelada pelos bombeiros, e Rodrigo Cassiano da Silva, 20. Eles morreram soterrados. Até o início da noite, os bombeiros só haviam resgatado os corpos dos dois primeiros. Ao escurecer, as buscas pelo corpo de Rodrigo Cassiano foram suspensas, devendo ser retomadas na manhã desta quarta-feira (6).

Pela manhã, quatro outras pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade, em outros acidentes. O desabamento de um muro sobre a parede de uma casa, no Bairro da Paz, provocou ferimentos leves em três pessoas: Ana Cláudia de Jesus Santana, 17, Luciano Pereira Alves, 22, e na filha deles, Luciana Santana Alves, 2. A queda de um barranco em Sussuarana também derrubou a parede da casa de Américo Santos, 67, que sofreu uma fratura em uma das pernas.

Caos
Em dez horas de chuva intensa, Salvador ficou em situação de alerta. Além das mortes, houve desabamentos de imóveis, quedas de muros e árvores, canais que transbordaram inundando ruas e avenidas e trânsito congestionado.

O Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães fechou pela manhã para pousos e decolagens. Foram 14 voos cancelados e 17 atrasados. Os trens do Subúrbio Ferroviário não funcionaram porque os trilhos ficaram encobertos pela água.

Informações preliminares dão conta de que, em algumas das principais avenidas da cidade, grupos de assaltantes armados com pedaços de pau, pedras e facas quebraram vidros de carros para retirar bolsas, carteiras e telefones celulares das pessoas presas nos congestionamentos. Essa situação, segundo a polícia, verificou-se principalmente na avenida Antonio Carlos Magalhães, uma das mais importantes da cidade, assim como no bairro da Pituba, área nobre da capital. A polícia não soube especificar quantos casos ocorreram e quantas pessoas foram prejudicadas pela ação dos assaltantes.

No centro da cidade, o Dique do Tororó, ponto turístico da capital, transbordou. Os alunos do Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador, foram dispensados, devido ao acúmulo de lixo e da água que tomou conta do local em decorrência da chuva. De acordo com os alunos, a área interna da unidade escolar virou um grande lamaçal.

O mesmo ocorreu no colégio Edvaldo Boaventura, localizado no conjunto Vale dos Rios, na avenida Paralela, onde carros chegaram a ser arrastados pela água.

Houve transbordamento de canos nas avenidas ACM e Tancredo Neves, dificultando a circulação do trânsito. Essas avenidas comportam dois grandes centros comerciais da capital baiana. Em vários bairros houve falta de energia elétrica e interrupção no sistema de telefonia. Quem precisou usar o transporte coletivo esperou um tempo maior, em pontos lotados, porque os ônibus tiveram dificuldades para trafegar.

Um terço da chuva do mês
Durante a chuva, a Defesa Civil recebeu 333 pedidos de socorro e registrou 212 deslizamentos de terra. Segundo o 4º Distrito Regional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva registrou a marca de 60 mm, dos 349,5 mm esperados para todo o mês de maio. O acumulado nos cinco primeiros dias do mês chega a 112,4 mm, ou cerca de um terço do volume de precipitações esperado para o mês.

Conforme ainda o instituto, o tempo chuvoso instalado na cidade desde a noite de sexta-feira (1) é provocado pela instabilidade no leste e norte da região Nordeste, além da influência de nuvens que estão sobre o Oceano Atlântico. A previsão é que a chuva permaneça sobre a capital baiana e região metropolitana pelo menos pelas próximas 48 horas.

Transtornos à população
A vendedora comercial Cida Borges precisou empurrar o carro na região do shopping Iguatemi, na avenida ACM, onde a chuva também provocou o desabamento de parte do teto de um restaurante. "Quem tem carro novo já está enfrentando problemas. Imagine quem não tem e usa um veículo mais velho, como o meu. Ele não pode nem ver água, quanto mais enfrentar uma enchente dessas", disse a vendedora, com bom humor.

Com urgência de chegar a uma agência bancária no centro da cidade, o assessor parlamentar Luiz Francisco Sena Costa também enfrentou dificuldades a bordo do seu carro recém-comprado.

O governador Jaques Wagner, que sobrevoou a cidade à tarde, reúne-se agora à noite com os prefeitos das cidades atingidas (Salvador, Simões Filho e Lauro de Freitas). Ele deverá acatar o pedido de decretação de situação de emergência solicitado pelo prefeito de Salvador, João Henrique, no dia 22 de abril.

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