Desabamento causado por chuva em Salvador deixa três mortos

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Três pessoas morreram na tarde desta terça-feira (5), em Salvador, em consequência da forte chuva que cai sobre a cidade desde a madrugada. Elas foram vítimas do desabamento de um imóvel na travessa 1° de Janeiro, no bairro de Pirajá. De acordo com o Corpo de Bombeiros e com a Defesa Civil, as vítimas já resgatadas são Leandro Vinícius Rocha da Silva, 20, e um jovem de prenome Júnior. O corpo de Rodrigo Cassiano da Silva, 20, ainda está sob os escombros.

Situação de alerta na Bahia

  • Arestides Baptista/Agência A Tarde/AE

    Fortes chuvas que atingem a cidade de Salvador, na Bahia, desde o fim de semana, deixaram ruas alagadas nesta manhã. Na foto, trecho intransitável da avenida Centenário. Mais chuvas agravam situação também em outros Estados do Nordeste

Pela manhã, quatro outras pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade, em outros acidentes. O desabamento de um muro sobre a parede de uma casa, no Bairro da Paz, provocou ferimentos leves em três pessoas: Ana Cláudia de Jesus Santana, 17, Luciano Pereira Alves, 22, e na filha deles, Luciana Santana Alves, 2. A queda de um barranco em Sussuarana, também derrubou a parede da casa de Américo Santos, 67, que sofreu uma fratura em uma das pernas.

A previsão da meteorologia é de que a chuva permaneça sobre a capital baiana e região metropolitana pelo menos pelas próximas 48 horas. O governador Jaques Wagner convocou os prefeitos das cidades atingidas (Salvador, Simões Filho e Lauro de Freitas) para uma reunião de emergência nesta noite.

Caos
A capital baiana vive um dia de muitos problemas em razão da forte chuva que cai sobre a cidade desde as primeiras horas do dia. Por toda parte se verificam ruas inundadas, canais transbordando e trânsito congestionado.

Até o início desta tarde, a Defesa Civil já havia atendido cerca de 130 chamadas, entre elas 80 registros de deslizamentos de terra e três desabamentos de imóveis, sobretudo nos bairros periféricos, onde o clima é de alerta em razão dos riscos de deslizamento.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, sobrevoou nesta tarde alguns municípios da região metropolitana de Salvador para observar os estragos provocados. Wagner estava acompanhado do secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Walmir Assunção.

O secretário antecipou que, diante da situação crítica em que se encontra Salvador, vai recomendar ao governador decretar situação de emergência na cidade, conforme solicitado, no dia 22 de abril, pelo prefeito João Henrique. Walmir está à frente de um grupo da Coordenação Estadual de Defesa Civil, encarregado de analisar o pedido, e coordenando também a Vigilância Sanitária em diversos bairros de Salvador que estão em situação crítica.

Tempo ruim
De acordo com o setor de meteorologia, o tempo chuvoso que se estabeleceu na cidade desde a noite de sexta-feira (1) é provocado pela instabilidade no leste e norte da região Nordeste, além da influência de nuvens que estão sobre o Oceano Atlântico. A previsão do 4º Distrito Regional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que a instabilidade climática permaneça pelas próximas 48 horas.

Segundo o instituto, a chuva desta manhã registrou a marca de 60 mm, dos 349,5 mm esperados para todo o mês de maio. O acumulado nos cinco primeiros dias do mês chega a 112,4 mm.

Além do registro de queda de muros e árvores e ameaças de desabamentos em vários bairros, no subúrbio ferroviário os trens pararam porque os trilhos foram encobertos pela água. Sem teto, o Aeroporto Internacional de Salvador Deputado Luis Eduardo Magalhães também fechou e sete voos foram suspensos - cinco decolagens e duas chegadas.

No centro da cidade, o Dique do Tororó, ponto turístico da capital, transbordou. Os alunos do Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador, foram dispensados, devido ao acúmulo de lixo e da água que tomou conta do local em decorrência da chuva.

De acordo com os alunos, a área interna da unidade escolar virou um grande lamaçal. O mesmo ocorreu no colégio Edvaldo Boaventura, localizado no conjunto Vale dos Rios, na avenida Paralela, onde carros chegaram a ser arrastados pela água.

Transtornos à população
A vendedora comercial Cida Borges precisou empurrar o carro na região do shopping Iguatemi, na avenida ACM, onde a chuva também provocou o desabamento de parte do teto de um restaurante. "Quem tem carro novo já está enfrentando problemas. Imagine quem não tem e usa um veículo mais velho, como o meu. Ele não pode nem ver água, quanto mais enfrentar uma enchente dessas", disse a vendedora, com bom humor.

Com urgência de chegar a uma agência bancária no centro da cidade, o assessor parlamentar Luiz Francisco Sena Costa também enfrentou dificuldades a bordo do seu carro recém-comprado.

Houve transbordamento de canos nas avenidas ACM e Tancredo Neves, dificultando a circulação do trânsito. Essas avenidas comportam dois grandes centros comerciais da capital baiana. Em vários bairros houve falta de energia elétrica e interrupção no sistema de telefonia. Quem precisou usar o transporte coletivo esperou um tempo maior, em pontos lotados, porque os ônibus tiveram dificuldades para trafegar.

Trabalhando em estado de alerta, com toda a equipe em campo, a Defesa Civil, diante da perspectiva de mais chuva, recomenda às famílias que moram em locais próximos a áreas de risco que fiquem atentas a sinais de rachaduras, aumento repentino do nível de rios e riachos e inclinação de postes de iluminação e árvores. Entretanto, segundo os próprios técnicos, muitas famílias resistem em acatar a recomendação.

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