Laboratórios brasileiros serão autorizados pela Anvisa para produzir vacina contra a gripe

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou nesta terça-feira (05) que vai liberar a pesquisa para produção da vacina contra a nova gripe - A(H1N1) - aos laboratórios brasileiros credenciados pelo órgão.

"O pesquisador que trabalhar em um centro já autorizado para a produção da vacina, ao receber a cepa (amostra do vírus causador da atual epidemia), pode iniciar a produção da mesma", explicou Dirceu Raposo de Mello.

A direção da Anvisa reúne-se ainda hoje para elaborar a resolução que vai dar agilidade ao processo. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a produção de uma vacina de combate à nova gripe deve levar em torno de seis meses.

Raposo não soube dizer quantos laboratórios teriam condições de fazer as pesquisas no Brasil. No entanto, citou o Instituto Butantan e o Instituto Oswaldo Cruz como exemplos de laboratórios públicos que poderão produzir a vacina. "Eventualmente outros laboratórios privados que tenham condição estarão na mesma situação".

Os laboratórios que estarão autorizados são aqueles com "certificado de boas práticas", de acordo com o presidente da Anvisa. "Nós já temos a história dos laboratórios. Sabemos quais são os que estão autorizados a produzir outras vacinas. Esses, se receberem o vírus, podem, imediatamente, iniciar a produção."

O Brasil ainda não recebeu o material que permite a pesquisa em busca de uma vacina. "Isso depende da Organização Mundial da Saúde, que vai nos encaminhar", disse Raposo.

"Não é qualquer laboratório"
O diretor ressaltou que para receber a autorização para produzir a vacina, o laboratório terá de cumprir exigências. "Não é todo e qualquer laboratório que recebeu o mapeamento genético que vai produzir. Tem que ser o laboratório que tem vocação pra fazer vacina. (Apenas) aquele que já tenha em sua tecnologia a produção de algum tipo de vacina ou soro e que possa responder a essa demanda será autorizado, e evidentemente nós vamos monitorar. Não adianta produzir vacina, tem que produzir vacina que confere a imunidade".

Ele explicou que a Anvisa e a OMS fizeram uma inspeção no Instituto Butantan para saber quais as condições para a produção da vacina. A organização mundial fez algumas exigências ao laboratório para liberar a pesquisa. "Estamos trabalhando em conjunto com o instituto para que essas exigências sejam cumpridas".

EUA confirmam segunda morte
Nesta tarde, foi confirmada a segunda morte pela doença nos Estados Unidos. Antes da confirmação, a OMS (Organização Mundial da Saúde) contabilizava 1.490 casos de gripe suína confirmados em 21 países, com 30 mortos por essa doença. O relatório anterior, da manhã, apontava 1.124 casos com 26 mortos.

No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha 28 casos suspeitos de gripe suína, segundo nota divulgada no começa da tarde de hoje. São consideradas suspeitas de ter a doença pessoas provenientes de qualquer área dos países com confirmação de casos que, além disso, apresentem os sintomas da influenza A (H1N1) ou tenham tido contato próximo com pessoas infectadas.

O diretor de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, José Agenor Álvares da Silva, afirmou nesta terça que o kit que permitirá aos laboratórios brasileiros realizar o exame que aponta a presença do vírus deve chegar ao Brasil nesta quarta (6).

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