Para prevenir gripe, Brasil passa a controlar também passageiros de ônibus

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou nesta terça-feira (05) que os viajantes que chegam ao país de ônibus, vindos de outros países, também passarão por um controle com o objetivo de evitar a entrada do vírus da gripe A (H1N1) no Brasil.

"(Vamos fiscalizar) qualquer viajante que entra no Brasil, agora por via terrestre também. Isso porque já tivemos casos na Colômbia, país que faz fronteira terrestre com o Brasil", afirmou o presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.

Ele explicou que o procedimento em caso de suspeita de gripe será o mesmo que já está sendo adotado nos portos e aeroportos do país. "Restringe a circulação da pessoa, encaminha para o serviço médico especializado e, se necessário, para o hospital de referência".

A fiscalização terrestre teve início nesta terça e o presidente da Anvisa afirmou que, se necessário, poderá haver reforço de pessoal.

Na semana passada, o órgão decidiu cancelar as viagens internacionais de seus servidores, para que eles fiquem à disposição para as ações de prevenção à nova gripe no Brasil.

José Agenor Álvares da Silva também ressaltou a abordagem de veículos terrestres, falando aos parlamentares das comissões de Seguridade Social e Família; de Defesa do Consumidor; e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. "Isso é uma medida nova, tomada principalmente naquelas fronteiras mais complicadas, como, por exemplo, Tabatinga (Amazonas), porque na Colômbia já apareceu o primeiro caso. E outras fronteiras de maior intensidade de fluxo, principalmente de ônibus, entre os países daqui da América do Sul".

Passageiro suspeito pode ser impedido de embarcar
O diretor da Anvisa também falou sobre os procedimentos que estão sendo tomados nos voos para se evitar a entrada do vírus no país. Segundo ele, se houver uma suspeita mais severa, o passageiro pode ser impedido de embarcar.

"Dependendo do caso suspeito, a Anvisa tem autoridade para impedir o embarque do passageiro. Se o médico, a unidade de referência, disser que ele não pode embarcar, a Anvisa pode impedir o embarque e a tripulação é impedida de deixar o passageiro entrar."

Embarcações também podem ser barradas, de acordo com o diretor. "Todo navio que chega de uma área afetada só é autorizado a atracar se o comandante informar que não tem nenhum caso suspeito. Se houver qualquer caso informado, o navio fica fundeado (ancorado) para a equipe de vigilância sanitária avaliar. Se o comandante do navio não aceitar as regras brasileiras, o navio dele fica lá fundeado."

O diretor da Anvisa disse ainda que a agência detectou alguns problemas com os avisos sonoros que devem ser veiculados nos voos. Algumas empresas não estavam dando os avisos ou davam avisos errados. "Amanhã temos de novo com reunião com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e as empresas para reforçar isso (a importância do informe correto). Se não, a gente causa pânico. Não é qualquer sintomático que é suspeito de ter a doença", explicou.

EUA confirmam segunda morte
Nesta tarde, foi confirmada a segunda morte pela doença nos Estados Unidos. Antes da confirmação, a OMS (Organização Mundial da Saúde) contabilizava 1.490 casos de gripe suína confirmados em 21 países, com 30 mortos por essa doença. O relatório anterior, da manhã, apontava 1.124 casos com 26 mortos.

No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha 28 casos suspeitos de gripe suína, segundo nota divulgada no começo da tarde de hoje. São consideradas suspeitas de ter a doença pessoas provenientes de qualquer área dos países com confirmação de casos que, além disso, apresentem os sintomas da influenza A (H1N1) ou tenham tido contato próximo com pessoas infectadas.

O diretor de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, José Agenor Álvares da Silva, afirmou nesta terça que o kit que permitirá aos laboratórios brasileiros realizar o exame que aponta a presença do vírus deve chegar ao Brasil nesta quarta (6).

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