Vinte e uma cidades gaúchas vão entrar em "greve" de cinco dias por causa da seca

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

As 21 prefeituras que compõem a chamada região celeiro do Rio Grande do Sul (noroeste do Estado) decidiram paralisar suas atividades administrativas durante cinco dias em função dos efeitos da seca, que castiga a região há mais de dois meses.

As administrações manterão apenas os serviços de coleta de lixo e de atendimento emergencial de saúde entre os dias 11 e 15 de maio, como forma de atenuar os prejuízos causados pela estiagem. O transporte de água para as populações afetadas não será interrompido.

Seca afeta quase cem cidades de SC

  • Segundo previsões meteorológicas, o quadro de estiagem persistirá durante o mês de maio. Abril fechou com chuvas 70% abaixo da média no oeste catarinense e 85% menor no planalto



A medida tem como objetivo reduzir as despesas das prefeituras e pressionar os governos federal e estadual a liberarem recursos para os municípios que estão há um mês em situação de emergência. Os gastos públicos, segundo a Associação dos Municípios da Região Celeiro (Amuceleiro), aumentaram em cerca de 50% devido ao impacto da seca nas áreas rurais.

Cerca de 2.000 famílias têm como uma única fonte de abastecimento os caminhões-pipas fornecidos pelas prefeituras. Os prefeitos também reclamam de uma queda de 10% a 20% nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em função da crise internacional e da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pelo governo federal. O FPM é repassado pela União a partir da arrecadação de impostos federais.

A paralisação atingirá cerca de 150 mil habitantes - 90 mil só na área rural - em serviços como transporte escolar, atendimento em repartições públicas e manutenção de serviços urbanos, como iluminação e calçamento.

Economia já perdeu R$ 158 milhões
Segundo o presidente da associação, Claudemir Locatelli, a perda na economia da região com a seca já chega a R$ 157 milhões. "Nunca se viu nada parecido aqui", disse. A região celeiro é formada por pequenos municípios que baseiam sua economia na agricultura, especialmente soja, e na pecuária de leite.

Em Três Passos - maior município da região, com 25 mil habitantes - o prejuízo nas safras de soja, milho e leite já passa dos R$ 10 milhões. A prefeitura, além disso, está gastando de R$ 8.000 a R$ 10 mil por dia em abastecimento emergencial de água na zona rural. São 450 mil litros por dia para consumo humano e animal.

O prefeito Cleri Camilotti calcula que 300 famílias estão sem fonte alguma de abastecimento no interior do município. "Sem aulas, a economia da prefeitura pode chegar a R$ 40 mil por semana", justificou. Ele garantiu, no entanto, que o ano letivo não será prejudicado na cidade.

Em Tenente Portela, 15 mil habitantes, o balanço da prefeitura indica que 120 famílias dependem do abastecimento da prefeitura para sobreviver à estiagem. Diariamente, mais de 60 mil litros de água são fornecidos para a zona rural do município - outros 100 mil estão sendo destinados para consumo animal. "Recebemos de dois a três novos pedidos de abastecimento por dia", disse o prefeito Claiton Carboni. A quebra da safra de leite em Tenente Portela chega a 70%.

Os números da Amuceleiro são alarmantes. Claudemir Locatelli informou que a safra de leite, principal item de produção das 21 cidades da região, registra quebra média de 50%. Na soja, a perda chega a 45%, enquanto no milho os prejuízos vão a 30%. "Nossa produção é agrícola, depende do clima para se manter", lamentou o dirigente, que é prefeito do município de Vista Gaúcha.

Estado liberou R$ 25 mil por município
A paralisação pretende chamar a atenção do governo gaúcho para os problemas da região. "O governo do Estado não está sendo sensível ao desespero da nossa população", disse Locatelli. Na avaliação da Amuceleiro, o governo está se limitando a fornecer cestas básicas aos municípios atingidos pela estiagem. Ele também criticou a liberação, em caráter emergencial, de R$ 25 mil por município para combater os efeitos da seca. "Não dá para nada", reclamou o dirigente.

As 45 cidades que integram a Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop), que também sofre os efeitos da estiagem, devem aderir à paralisação. O secretário-executivo da Amzop, Saul Mattei, disse que muitas prefeituras não conseguirão pagar os salários dos funcionários se não chover nos próximos dias. A Defesa Civil informou que 162 municípios do Estado estão em situação de emergência devido à seca.

Os municípios que vão parar as atividades são:
Barra do Guarita
Bom Progresso
Braga
Campo Novo
Chiapetta
Coronel Bicaco
Crissiumal
Derrubadas
Esperança do Sul
Humaitá
Inhacorá
Miraguaí
Redentora
Santo Augusto
São Martinho
São Valério do Sul
Sede Nova
Tenente Portela
Tiradentes do Sul
Três Passos
Vista Gaúcha

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