Funasa entra com pedido de reintegração de posse de prédio em SP; índios dizem que não vão sair

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

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OCUPAÇÃO DA FUNASA

  • Os cerca de 100 índios que invadiram a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no centro de São Paulo na tarde de ontem permaneciam no prédio hoje. De acordo com a assessoria do órgão, mesmo com a presença dos índios, os funcionários estavam trabalhando normalmente

O presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Danilo Forte, afirmou nesta quarta-feira (6) que pediria a reintegração de posse do prédio da regional de São Paulo, invadida por indígenas na terça (5). A assessoria de imprensa do órgão em Brasília confirmou no final da tarde que o pedido estava sendo protocolado, diante da recusa dos índios de deixarem o local. Agora, a reivindicação será analisada pela Justiça Federal, de acordo com a fundação.

"Já elaboramos o pedido de reintegração de posse da coordenação regional para que tudo possa voltar à sua normalidade. Não queremos violência na desocupação, mas as pessoas que ali trabalham precisam ter condições adequadas para desempenhar sua função".

Forte confirmou ter recebido o pedido de demissão do coordenador do órgão, Raze Rezek, durante a manhã de hoje, mas ressaltou que "não agirá sob coação". "Vamos avaliar (o pedido de demissão). Acho que ele está um pouco nervoso com a situação que foi gerada. Mas sob coação, eu não tomo nenhuma decisão. Enquanto não desocuparem o local, eu não tomo nenhuma decisão".

Uma das exigências dos indígenas que invadiram o prédio da entidade em São Paulo era a saída do coordenador. Para o presidente da fundação, a questão "é mais política do que administrativa". "Virou uma luta de caciques contra o coordenador regional. A questão não está nas pessoas, mas nos compromissos assumidos. Não é porque a pessoa é A, B, C ou D, está ligado a A, B, C ou D, que tem que ser julgada", disse Forte, acrescentando que os compromissos acertados com a comunidade indígena no final do ano passado - quando foi apresentada uma pauta de reivindicações das lideranças indígenas de São Paulo - "ou já foi feito ou está encaminhado."

"Esperamos que, em curto espaço de tempo tenhamos a compreensão da comunidade indígena. Se quiser ter um tratamento democrático, vamos conduzi-lo da melhor forma possível, mas não com achincalhe, com a ocupação desordenada."

Os indígenas invadiram na terça (5) o prédio da Coordenação Regional da Funasa (Core), no centro de São Paulo, e fizeram funcionários reféns. O grupo conta com cerca de cem índios, representantes de comunidades paulistas. Segundo o presidente da fundação, hoje há "livre trânsito" de pessoas no prédio.

Coordenador da Funasa aceita pedir demissão


Em 'nota de repúdio' distribuída à imprensa nesta terça, a Funasa se manifesta contra "qualquer tipo de violência como forma de negociação". Diz ainda que "as mudanças de ocupantes de cargos públicos obedecem sempre a critérios de elegibilidade e capacidade de gestão, com avaliação periódica de desempenho".

Os manifestantes consideram que Rezek dá pouca importância às questões indígenas. Uma das principais reclamações está relacionada ao saneamento nas terras indígenas. Em resposta, a Funasa afirma que "o Estado de São Paulo é o que tem melhor cobertura sanitária do país em comunidades indígenas. Das 36 aldeias, 27 possuem abastecimento de água, o equivalente a 95% da população aldeada".

A nota diz também que a fundação já repassou quase R$ 695 mil para a coordenação de São Paulo aplicar no abastecimento de água. Outros R$ 772 mil foram liberados para melhorias sanitárias nos domicílios indígenas.

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