La Niña e zona de convergência intertropical explicam chuvas no Norte e Nordeste e seca no Sul

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

As regiões Nordeste e Norte do Brasil, que estão sofrendo com fortes chuvas nas últimas semanas, devem voltar a ser atingidas por temporais hoje, segundo previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). As chuvas já provocaram 18 mortes nos Estados do Ceará, do Maranhão e da Bahia, além de deixar mais de 483 mil desalojados nos três Estados e ainda no Piauí, no Pará e no Amazonas, segundo números das Defesas Civis estaduais.

A ocorrência simultânea do fenômeno La Niña e da zona de convergência intertropical (ZCIT) no hemisfério sul é a causa do excesso de chuvas nessas regiões e da estiagem no Rio Grande do Sul e, de acordo com a meteorologista Olívia Nunes, da Somar Meteorologia, a situação deve permanecer como está até o fim de maio.

Nas últimas semanas, as chuvas castigaram gravemente os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Paraíba, Alagoas, Amazonas e Pará. Ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul, 172 municípios decretaram situação de emergência em razão da estiagem. Na semana que vem, 21 cidades decidiram fazer uma "greve" de cinco dias para chamar a atenção do Estado para o problema.

"A ZCIT se forma pelo encontro dos ventos úmidos do hemisfério sul e do hemisfério norte e age sobre o Norte e Nordeste do Brasil durante o verão e o outono", afirma Olívia. "É um fenômeno que causa chuvas nessas regiões intensas e impede que a umidade desça para o interior do sul do país, o que causa estiagem nessa região", diz Olívia.

O La Niña, por sua vez, é responsável pelo esfriamento das águas do Oceano Pacífico. Como consequência deste fenômeno, as águas do Atlântico sofrem um leve aquecimento para que haja um equilíbrio na temperatura atmosférica. De acordo com a meteorologista, a ocorrência dos dois fenômenos é comum nesta época do ano.


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"A diferença é que nesse ano a temperatura da água do Atlântico no Nordeste subiu mais do que o normal. Isso causou mais evaporação, e, consequentemente, mais chuvas", afirma Olívia.

Segundo a meteorologista, o La Niña já enfraqueceu e as águas do Pacífico na região do Peru começaram a esquentar. "A temperatura da água no Pacífico já está perto da normalidade. O oceano responde às alterações climáticas em um certo tempo, mas o efeito na atmosfera é mais demorado."

Para Olívia, as condições do tempo no Brasil devem permanecer como estão até o fim de maio. "No fim do mês, a ZCIT migra para o hemisfério norte, a umidade na Amazônia tende a diminuir e deve voltar a chover no sul", afirma.

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