Secretaria de Saúde de MG monitora só 30% dos passageiros originários de áreas de risco da gripe suína

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

Criado em 30 de abril para monitorar passageiros que chegam ao Estado originários de países considerados de risco para a gripe suína, o serviço de telemarketing da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais conseguiu localizar apenas 30% das pessoas, de um total de 1.600, que desembarcaram nessa condição na última semana no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins), segundo informou o superintendente de epidemiologia do órgão, Francisco Lemos.

O serviço de inspeção via telefone foi instalado para monitorar as pessoas com suspeitas pelo prazo de 10 dias, considerado pela secretaria como período de incubação da doença.

Para fazer o controle dos passageiros no Estado, a Secretaria de Saúde utiliza dados obtidos pelo DBA (Declaração de Bagagem Acompanhada), documento exigido pela Receita Federal a todos os passageiros que desembarcam de voos internacionais no país.

O entrave, segundo o superintendente, é a incorreção do preenchimento do documento. "O documento (DBA) não tem o campo de telefone e, talvez por isso, nem sempre ele tem sido preenchido de tal forma com que nós consigamos localizar posteriormente as pessoas. O pessoal da Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), que fica no aeroporto, está pedindo às pessoas que coloquem os números dos telefones no cabeçalho do documento. Mas algumas estão colocando números incorretos e endereços errados. Em alguns casos, a gente vai checar e a pessoa já não mora mais ou nunca morou no endereço informado", explicou Lemos.

O superintendente disse que o órgão pleiteou o acesso de agentes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais à área restrita do desembarque internacional do aeroporto, onde somente agentes da polícia e da receita federal têm acesso, para que eles possam coletar dados diretamente dos passageiros.

"Essa (DBA) é a única forma que temos no momento de saber o endereço dos passageiros. Mas nós estamos pedindo ao pessoal da Infraero, Anvisa e da Polícia Federal que técnicos possam ter acesso a essa área de desembarque antes que eles possam passar pela alfândega", explicou.

Segundo Lemos, existe, além do serviço de telemarketing, o número 0800-283-2255 para que a população possa tirar dúvidas sobre a gripe suína.

"A gente tem a nossa equipe lá no aeroporto, que aborda as pessoas depois que elas saem da área restrita, mas a maioria já está cansada e ansiosa para chegar em casa. Na hora em que elas passam pelo setor de desembarque, elas têm uma resistência maior em atender a uma abordagem de qualquer órgão e, como não podemos obrigá-las a deixar seus contatos, temos de nos ater aos DBA ", revelou.

Segundo Lemos, o serviço de telemarketing tem capacidade de fazer 15 mil ligações por dia.

Casos suspeitos em MG
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que o Estado tem, no momento, três casos considerados suspeitos de gripe suína.

Estão internados no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, dois meninos gêmeos, com 1 ano, que chegaram ao hospital ontem à noite.

Segundo o órgão, eles vieram do Texas (EUA) para o Estado no último dia 3 e passaram a apresentar sintomas de gripe a partir do dia 5 de maio.

Uma equipe técnica do Hospital Eduardo de Menezes, que os acompanhou em casa, constatou que eles apresentaram febre alta e desidratação no dia de ontem e resolveram encaminhá-los ao Hospital das Clínicas.

Boletim divulgado nesta quinta-feira (7) revelou que as duas crianças têm febre e sintomas respiratórios leves.

O outro caso suspeito é o de um homem de 26 anos que chegou de Miami (EUA) no dia 6 de maio. A secretaria informou que ele tem febre, tosse, coriza e dor no corpo e está sendo monitorado em casa.

Segundo norma adotada pela secretaria, os pacientes não terão as cidades de domicílio divulgadas, o que vinha ocorrendo anteriormente.

Ainda conforme dados da Saúde, outros quatro casos estão sendo apenas monitorados.

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