Associações médicas lançam guias sobre a gripe suína

Do UOL Notícias Em São Paulo

A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgaram nesta sexta-feira (8) dois protocolos - um à população e outro à classe médica - com orientações sobre a gripe suína (H1N1). O objetivo dos documentos é padronizar as informações do diagnóstico, acompanhamento, tratamento e prevenção da doença.

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No protocolo com orientações à população, os médicos afirmam que são considerados casos suspeitos as pessoas que apresentam ou apresentaram febre alta de maneira repentina (superior a 38ºC) e tosse em até 10 dias depois de viagens do exterior, ou ter tido contato próximo, nos últimos 10 dias, com um suspeito estar infectado com a gripe suína. Os sintomas secundários da gripe suína são dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, dificuldades respiratórias, diarreia, vômitos, garganta inflamada e cansaço.

Às pessoas que estiveram em áreas afetadas pela gripe suína e apresentam alguns dos sintomas, os médicos fazem as seguintes recomendações: entrar voluntariamente em quarentena domiciliar e utilizar máscaras cirúrgicas descartáveis nos primeiros dez dias; não ir ao trabalho ou à escola; medir a temperatura do corpo três vezes ao dia; fioar atento para o surgimento de tosse; não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal; evitar tocar olhos, nariz ou boca; cobrir o nariz e boca quando tossir ou espirrar; lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar; manter os ambientes ventilados; evitar contato próximo com pessoas; e evitar aglomerações ou locais pouco arejados.

No protocolo, os médicos dizem que - além da medicação correta, que somente deve ser ingerida após orientação médica - repouso, ingestão de líquidos e boa alimentação podem auxiliar na recuperação do infectado. Segundo o documento, a gripe suína pode evoluir para sinusite ou até para um quadro com comprometimento pulmonar.

Ainda no protocolo destinado à população, os médicos afirmam que grandes institutos de pesquisa estão trabalhando na produção de uma vacina, que deve estar pronta ainda em 2009.

Comunidade médica
O protocolo à classe médica explica que os casos em monitoramento são aqueles em que a pessoa, procedente do interior, apresenta febre e tosse e/ou os demais sintomas. Os casos suspeitos, por sua vez, são aqueles em que a pessoa apresenta febre alta de maneira repentina (superior a 38ºC) e tosse, que podem ou não ser acompanhadas de outros sintomas. As pessoas que mantiveram contato próximo com suspeitos também são consideradas suspeitas de terem se infectado com a gripe suína.

Ao identificar um caso suspeito, o médico deve contatar o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) mais próximo e encaminhar para o Hospital de Referência. Segundo o protocolo, é importante anotar as informações do paciente, tais como nome, endereço, telefone, e-mail para fácil localização, caso o paciente não se apresente ao Hospital de Referência.

Após verificar um caso suspeito, o médico deve, ainda, notificar imediatamente os casos suspeitos à Secretaria de Saúde Municipal e/ou Estadual e coletar amostras de sangue e de secreção respiratória, se disponível, segundo protocolo de investigação epidemiológica. Não é recomendada a internação hospitalar e tampouco o tratamento específico antiviral contra o novo vírus Influenza A(H1N1) na fase de investigação da doença.

Se algum paciente com suspeita de infecção der entrada na unidade de saúde, os profissionais devem: oferecer a máscara cirúrgica e orientá-los a permanecer utilizando a máscara até receber orientação médica para retirá-la, se for o caso; orientar a higienização das mãos com frequência, utilizando água e sabão ou soluções alcoólicas, especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas; disponibilizar álcool líquido a 70% e papel toalha para a higienização da bancada e demais superfícies após o atendimento do paciente suspeito.

Todos os profissionais da área de saúde devem utilizar Equipamento de Proteção Individual (EPI) - máscara respiratória, avental com abertura para trás, gorro, óculos de proteção e luvas de procedimentos - médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, profissionais do Centro de Material e Esterilização (CME) e lavanderia (área suja) durante manipulação de artigos ou roupas/tecidos provenientes de paciente com a gripe suína suspeita ou confirmada e toda a equipe de suporte, incluindo pessoal de limpeza e nutrição.

O diagnóstico do novo vírus deve ser realizado por meio do teste de Imunofluorescência indireta (IFI), seguido da reação em cadeia pela polimerase (PCR), específica para este novo vírus, que permite caracterizar casos altamente suspeitos. Testes comerciais rápidos para identificação do vírus Influenza A e B em secreções respiratórios não permitem a confirmação diagnóstica do novo vírus Influenza A/H1N1, portanto não devem ser utilizados.

No tratamento do paciente, os médicos não devem recomendar a prescrição de medicamentos sintomáticos e a automedicação deve ser desencorajada. O uso de antivirais também não é recomendado, sendo restrito para o tratamento de pacientes nos hospitais de referência. O uso indiscriminado de antivirais pode induzir resistência rapidamente.

O documento orienta os médicos a reduzirem o máximo possível o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes, evitar contatos sociais desnecessários e procurar imediatamente serviço de saúde de referência para avaliação se os sintomas da gripe suína persistirem.

Segundo o documento, fora do ambiente de serviços de saúde, não há evidências que demonstrem benefícios do uso de máscaras cirúrgicas ou respiratórias para a proteção contra a exposição ao vírus em ambientes abertos.

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