Chuvas no Maranhão já começam a prejudicar abastecimento em São Luís

Ivan Richard
Enviado Especial da Agência Brasil
Em São Luís

As fortes chuvas que atingem o estado do Maranhão desde o mês passado e levaram ao bloqueio de várias estradas já começam a prejudicar o abastecimento na capital, São Luís. Alguns produtos, como o tomate e a cenoura, já registram hoje (8) até 100% de aumento no preço e há o temor de que comecem a faltar legumes e verduras na cidade a partir da próxima segunda-feira (11) se a situação das estradas que dão acesso a São Luís não se normalizar.

Logo nas primeiras horas da manhã na Cooperativa dos Hortifrutigranjeiros do Maranhão (Ceasa-MA), feirantes e consumidores reclamavam do preço dos produtos e também da qualidade das verduras, dos legumes e das hortaliças que chegam ao local. O feirante Francisco Pereira de Souza vende, por semana, cerca de 100 mil quilos de produtos. Segundo ele, por conta das chuvas, os carregamentos de mercadorias nos últimos dias têm tido perdas de até 70%.

"O desperdício está muito alto. Estamos trabalhando com 70% de perdas enquanto a média normal é de, no máximo, 10%", afirmou à Agência Brasil. Com a dificuldade no transporte, o maior prejudicado é o consumidor. "Se compro 100 caixas e só chegam 50, tenho que repassar isso no preço", disse Souza, acrescentando que se a situação não melhorar não terá produtos na próxima segunda-feira. "Ninguém vai arriscar atravessar um caminhão [pelas estradas alagadas] e ter que pagar R$ 70 mil reais para refazer o motor."

O feirante Antônio Luiz dos Santos trabalha na Ceasa há mais de 30 anos e disse nunca ter vivido um momento tão ruim. "Está faltando tudo e, quando chega, é pobre". Ele afirmou que o tomate é o que está em pior situação, mas também já começam a faltar cebola, pepino, chuchu e batata-doce. "A gente reclama é porque não tem mercadoria."

Nas bancas de hortaliças, os comerciantes também reclamam da falta e da qualidade dos produtos. Em alguns casos, como o do cheiro-verde, os produtos dobraram de preço nos últimos dias devido à dificuldade no abastecimento. "A pimenta-de-cheiro custava R$ 5 na semana passada, hoje custa R$ 8, disse o feirante Josélio Luiz de Santana. De acordo com ele, em uma semana, maço de cheiro-verde passou de R$ 0,50 para R$ 1.

A dona de casa Rosemere Maria da Conceição acordou cedo para fazer as comprar para o almoço. Ela voltou para casa sem encontrar tudo o que queria. "Venho aqui quase todos os dias. Hoje, tudo está mais caro. Além disso, não encontrei vagem."

A feirante Maria dos Remédios Gomes dos Santos teve que tirar várias camadas dos repolhos que chegaram para poder atrair os clientes. "Está tudo muito feio, quase estragado", reclamou. Segundo ela, a verdura que custava R$ 1 há duas semanas, hoje não sai por menos de R$ 2,50.

Os comerciantes também tiveram que aumentar o preço da cenoura, que normalmente custa R$ 1,50 o quilo e agora está sendo vendida a R$ 3,00. "Estamos tendo muito prejuízo. Mesmo vendendo a R$ 1,50 ou até mesmo por R$ 1,20, não tínhamos prejuízo como hoje", contou o feirante Raimundo Gomes dos Santos Maria, mostrando vários legumes praticamente estragados que chegaram hoje a sua banca.

"A gente vendia [mais barato], mas não perdia a mercadoria", completou. Ele está profissão há 30 anos e também disse nunca ter passado tantas dificuldades.

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