Com dois casos suspeitos de gripe suína, Alagoas "isola" pacientes em enfermaria improvisada

Carlos Madeiro Especial para o UOL Notícias Em Maceió

A Secretaria da Saúde de Alagoas anunciou nesta segunda (11) que duas pessoas estão internadas em Maceió com sintomas da gripe suína. Uma das pacientes é uma psicóloga que esteve a trabalho no México. Ela apresentou febre alta e dores no corpo. O outro caso suspeito é de uma funcionária da psicóloga, que apresentou os mesmo sintomas após contato com ela.

Sem isolamento adequado

  • Divulgação

    O hospital Hélvio Auto possui uma sala com o sistema de "pressão negativa", necessário para um melhor isolamento de pacientes com doenças contagiosas. Mas, apesar de instalado há quatro anos, o equipamento nunca funcionou.

As duas pacientes estão internadas desde o fim de semana em uma enfermaria improvisada no Hospital Hélvio Auto. Embora especializado em doenças infecto-contagiosas, o hospital está com a enfermaria especial para isolamento sem funcionar. O motivo é que o equipamento que filtra o ar está quebrado.

Amostras do sangue das pacientes foram encaminhadas nesta segunda ao Rio de Janeiro, onde serão examinadas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Outras 36 pessoas que tiveram contato com elas estão sendo monitoradas.

Quebrado há 4 anos
Segundo a diretora do hospital designado para atender pacientes com suspeita do vírus H1N1 em Maceió, Luciana Pacheco, o Hélvio Auto possui uma sala com o sistema de "pressão negativa", necessário para um melhor isolamento de pacientes com doenças contagiosas. Apesar de instalado há quatro anos, o equipamento nunca funcionou.

"Esse aparelho foi instalado, mas não foi colocado em funcionamento porque não foi comprovada a eficácia. Na semana passada informamos o caso à Secretaria de Saúde, que já mandou técnicos para analisarem o problema", explicou.

Para atender aos pacientes com suspeita da gripe suína, o hospital improvisou a enfermaria 136, que só recebe pacientes com suspeita da doença. De acordo com Pacheco, não há prazo para conserto do equipamento. "Não posso dizer quando ele [o sistema de pressão negativa] estará pronto para que a enfermaria seja utilizada desta forma", informou.

Procedimentos
De acordo com as normas do Ministério da Saúde, os pacientes com suspeita da doença devem passar por um isolamento respiratório total. "O local aconselhado seria realmente um quarto com sistema de pressão negativa, que possui um mecanismo a vácuo que suga o ar quando qualquer pessoa entra ou sai da sala. Isso reduz consideravelmente o risco de contaminação. Mas isso não é uma obrigação", explicou ao UOL Notícias a enfermeira especialista em infectologia Aracele Cavalcanti.

Para a ela, alguns procedimentos podem evitar a proliferação de vírus dentro da unidade de saúde. "É necessário que todos que entrarem no quarto utilizem máscaras do tipo N-95 e utilizem óculos, no caso de limpar secreção. Além desses cuidados, são necessários outros básicos, comuns a todos os pacientes de doenças infecto-contagiosas. Entre eles está sempre utilizar luvas e lavar bem as mãos após tocar o suspeito", explica.

"Normas seguidas"
Mesmo não contando com um equipamento mais moderno para isolamento, o Estado garante que todas as normas estão sendo seguidas e não há motivo para pânico. "Estamos adotando os procedimentos recomendados pelas normas internacionais. Os profissionais foram treinados e podem diagnosticar casos", informou a diretora do Laboratório Central de Alagoas (Lacen), Telma Pinheiro.

Para o transporte de pacientes com suspeita da doença no Estado, uma viatura do Serviço Móvel de Urgência e Emergência (Samu) foi destinada exclusivamente para esses casos.

"Estamos também mantendo contato permanente com as pessoas que se relacionaram com as duas pacientes que estão isoladas. Por enquanto, o monitoramento é feito por telefone. Caso precise, vamos buscar o paciente em casa. O segundo caso suspeito foi descoberto assim", afirmou. Ainda segundo a Sesau, o Ministério da Saúde já enviou 50 mil kits de proteção para o Estado de Alagoas.

Para evitar a entrada do vírus H1N1 no Estado, os passageiros que vêm de países onde há casos da doença estão passando por monitoramento tanto no Aeroporto Zumbi dos Palmares, quanto no Porto de Maceió.

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