OAB-RS cobra íntegra das gravações que envolvem governo gaúcho em uso de caixa 2; oposição pede CPI

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

O presidente da seção gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, protocola no início da tarde desta segunda-feira (11) um pedido formal para que o Ministério Público Federal (MPF) divulgue o teor completo das gravações que envolvem a governadora Yeda Crusius (PSDB) em novas denúncias de utilização de caixa 2 durante a campanha de 2006. As denúncias fazem parte de reportagem publicada na edição desta semana da revista "Veja".

Segundo a publicação, uma série de gravações que fazem parte das investigações da Operação Rodin revela o desvio de doações de campanha que chegam a R$ 400 mil. As doações teriam sido feitas por duas indústrias de cigarro do Estado - uma delas confirmou o repasse de R$ 200 mil por meio de recibo, que não faz parte da prestação de contas da candidatura tucana.

"O Rio Grande do Sul não pode ficar exposto e penalizado enquanto caminhamos apenas no terreno do denuncismo", ponderou Lamachia. Segundo ele, o MPF precisa esclarecer "imediata e definitivamente" se há investigações ou provas envolvendo a cúpula do governo gaúcho. "O direito da sociedade de ver os fatos esclarecidos se sobrepõe ao alegado segredo de Justiça", justificou o dirigente. "Até porque [os fatos] envolvem a figura da própria governadora", disse.

R$ 44 milhões desviados do Detran
Na edição desta semana, a revista apresenta trechos de gravações que fazem parte do processo da Operação Rodin, que desbaratou fraude de R$ 44 milhões no Departamento de Trânsito (Detran) do Estado. Nas fitas, o lobista Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda em 2006, e o ex-chefe da representação gaúcha em Brasília, Marcelo Cavalcante, apontam para a existência de caixa 2.

Cavalcante, que morreu em fevereiro deste ano em circunstâncias ainda não esclarecidas pela polícia, diz nas gravações que o então marido da governadora, Carlos Crusius, desviou R$ 400 mil de doações. Segundo Cavalcante, que não sabia que estava sendo gravado, o dinheiro foi usado na compra da casa do casal Crusius logo depois da eleição.

A reportagem da revista informa que teve acesso a 90 minutos de um total de 10 horas de gravações. A viúva de Cavalcante, Magda Koenigkan, atestou a autenticidade do trecho divulgado e confirmou, segundo a "Veja", que o marido repassava arrecadações de campanha para Carlos Crusius.

"Entre o fim do segundo turno [final de outubro de 2006] e a semana posterior à eleição, Marcelo recebeu R$ 400 mil de dois fabricantes de cigarros - R$ 200 mil de cada um. Ambos [Carlos e Yeda] pediram par que a verba não fosse entregue oficialmente. Então, foi para o caixa 2", disse Magda à revista.

No sábado (9) pela manhã, antes de a publicação chegar às bancas em Porto Alegre, a governadora reuniu a imprensa e negou as informações contidas na reportagem. Yeda Crusius sugeriu que Ferst vendeu as gravações para a revista. "São as mesmas notícias, pela terceira, quarta, quinta vez. Finalmente [a denúncia] deve ter encontrado um bom valor de mercado", disse a governadora.

Oposição vai pedir abertura de CPI
Reunida extraordinariamente no domingo (10), a bancada do PT na Assembleia gaúcha decidiu reapresentar o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias. "É apropriação de recursos de campanha para uso pessoal. Por muito menos o governador do Maranhão [Jackson Lago] perdeu o mandato", sugeriu o deputado Raul Pont.

Para criar uma CPI, são necessárias 19 assinaturas de parlamentares. A oposição contabiliza 10 votos do PT, 2 do PSB e 1 voto do PC do B. O líder da bancada petista, Elvino Bohn Gass, se reúne nesta tarde com integrantes do PDT, que tem 6 deputados, e do PMDB, com 9 parlamentares, para arregimentar assinaturas. As duas bancadas têm uma postura independente em relação ao governo estadual.

O líder do PMDB na Assembleia, Gilberto Capoani, defendeu um afastamento do partido da administração tucana. "Quem sabe essas denúncias convençam as pessoas que ainda resistem a apoiar uma investigação", disse o parlamentar. Segundo ele, é "inevitável" que as novas informações respinguem nos partidos. "Não devemos ter qualquer vinculação com essa administração", defendeu Capoani.

O senador Pedro Simon, um dos principais líderes do PMDB no Estado, disse que apoia o pedido da OAB gaúcha.

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