Seca no sul faz 10 mil crianças ficarem sem aulas até a próxima sexta-feira

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

As 21 cidades mais atingidas pela seca no Rio Grande do Sul, localizadas na região noroeste do Estado, paralisaram suas atividades nesta segunda-feira (11) em busca de ajuda para os problemas causados pela falta de chuva. Cerca de 10 mil crianças ficarão sem aulas até a próxima sexta-feira (15), dia em que a paralisação será encerrada. As repartições públicas também ficarão fechadas. Apenas os serviços emergenciais de saúde e de coleta de lixo serão mantidos.
  • Raquel Heidrich/Agência RBS

    Segundo previsões meteorológicas, o quadro de estiagem persistirá durante o mês de maio. Abril fechou com chuvas 70% abaixo da média no oeste catarinense e 85% menor no planalto


A paralisação das prefeituras afeta 150 mil pessoas. Além das escolas municipais, estão paralisados os serviços de transporte de doentes para hospitais de outras cidades e de transporte escolar, especialmente para as unidades rurais de ensino. Consultas ou exames que estavam marcados para esta semana nas redes municipais de saúde serão remarcados. Máquinas e veículos públicos também não circularão, à exceção da coleta de lixo e do abastecimento de água para as regiões mais secas.

As 45 prefeituras que integram a Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop) também foram orientadas a paralisar atividades administrativas até a próxima sexta, mas a adesão era pequena na manhã desta segunda-feira. O secretário-executivo da Amzop, Saul Mattei, disse que os levantamentos dos prejuízos causados pela seca estão sendo calculados pela Associação Rio-grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). "Vamos pedir anistia das dívidas junto ao governo do Estado", informou Mattei.

Objetivo é diminuir prejuízos da seca
O esforço das prefeituras é para economizar recursos, como forma de fazer frente às despesas causadas pela seca. Somente em Três Passos, maior município da região, o gasto com abastecimento de água para as populações rurais chega a R$ 10 mil diários. Os prefeitos da região também reclamam de uma queda de até 20% nos valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repassado pela União a partir da arrecadação de impostos federais.

A seca, que se prolonga há mais de dois meses na região, deixa 210 cidades em situação de emergência no Rio Grande do Sul. A região mais afetada é a noroeste, na divisa com Santa Catarina. A região é caracterizada pelo cultivo de soja e milho e pela pecuária de leite.
O presidente da Associação dos Municípios da Região Celeiro (Amuceleiro), Claudemir Locatelli, avaliou o prejuízo dos agricultores em R$ 160 milhões. Segundo ele, mais de 3 mil famílias sofrem com a falta de água na região.

Deve chover no RS, mas não o suficiente
A meteorologia prevê para esta terça-feira (12) a chegada de uma frente fria ao Estado, provocando chuvas e queda de temperatura. Há possibilidade de granizo, raios e rajadas de vento em cidades do sul e do oeste gaúcho. A chuva deve se alastrar para todas as regiões do Estado até quinta-feira (14). A temperatura máxima não deve passar dos 20 graus nos próximos dias.

Mesmo assim, a perspectiva é de que os problemas causados pela seca continuem. A frente fria, de média intensidade, não deve provocar precipitação suficiente, em especial nas regiões mais afetadas pela estiagem. Cleo Kuhn, do 8º Distrito de Meteorologia, disse que nas regiões norte e noroeste do Estado a chuva deve chegar apenas na quinta-feira. "Mas um dia depois o sol já volta com força, assim como o frio", informou.

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