Chuvas deixam quase 100 mil desabrigados em nove Estados; ao menos 37 pessoas morreram

Do UOL Notícias
Em São Paulo

As notificações das coordenadorias estaduais de defesa civil, encaminhadas hoje para a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, indicam que 99.709 pessoas estão desabrigadas por conta das chuvas que atingem os Estados do Ceará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Santa Catarina. Estas pessoas tiveram que deixar suas casas e foram encaminhadas para abrigos públicos.

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  • J. Sobrinho/AE

    Autoridades do governo do Estado e bombeiros navegam entre ruas alagadas em Marabá, no Pará. Ontem, o rio Tocantins, que cruza a cidade, atingiu 12,60 metros acima do nível normal


No total, as chuvas e enchentes já atingiram 1.150.900 e deixaram outras 196.365 desalojadas - aquelas que estão hospedadas com amigos ou familiares. Ao menos 37 pessoas morreram por causa dos desastres nos Estados do Ceará (12 mortes), Maranhão (8), Bahia (7), Alagoas (4), Paraíba (2), Pernambuco (1), Sergipe (2) e Santa Catarina (1). A Defesa Civil do Estado do Amazonas fez uma reavaliação das notificações de óbitos e informou, nesta terça-feira (12), que as oito mortes antes informadas não foram relacionadas ou decorrentes das enchentes.

Os danos causados pelo excesso de chuva atingiram 357 municípios localizados em 13 Estados: Ceará, Maranhão, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas, Acre, Amazonas, Pará, Pernambuco, Santa Catarina e Sergipe. A Defesa Civil Nacional não considerou, no balanço, dois óbitos registrados pela Defesa Civil do Pará.

No Nordeste, o Ceará e Maranhão, atualmente, são os Estados que têm o maior número de municípios atingidos (78), seguidos pelo Piauí (37), Paraíba (27), Rio Grande do Norte (16), Bahia (11), Pernambuco (9), Sergipe (7) e Alagoas (3).

São 259.355 pessoas no Ceará atingidas pelas enchentes, enxurradas e desabamentos - destes, 54.913 estão desabrigados ou desalojados. Três rodovias estaduais do Ceará estão interditadas por causa das chuvas que atingem a região central do estado. As rodovias 371, que liga Morada Nova a Jaguaretama; a 138, entre Cristais e Morada Nova, e a 060, de Farias Brito a Crato e de Baturité a Quixadá, estão com vários trechos coberto pelas águas.

Em apenas um dia o número de pessoas afetadas pelas enchentes no Maranhão subiu de 196 mil para quase 205 mil. De acordo com a Defesa Civil do estado, dos 217 municípios, 78 decretaram situação de emergência. São, no Estado, 44.063 desalojados e 30.200 desabrigados.

Adílio do Nascimento, filho de um proprietário de uma oficina mecânica em Pedreiras, no interior do Maranhão, estima que o prejuízo do comércio de seu pai será de 40%. "A maioria dos comerciantes de Pedreiras teve prejuízo", afirma.

Já Francisca Maria Pereira da Silva, moradora de Trizidela do Vale (MA), cidade em que 90% das ruas estão alagadas, diz que as enchentes são comuns na cidade, mas que dessa vez a chuva veio com mais força. "Sempre tem enchente aqui, mas, normalmente, após oito, 10 dias a água baixa. Dessa vez as inundações estão durando mais de 30 dias, afirma Francisca Maria Pereira da Silva.

As duas cidades, que ficam na margem do rio Mearim, foram as primeiras do Nordeste a sofrerem estragos decorrentes das chuvas. "Ninguém esperava toda essa chuva. O comércio da cidade está todo alagado", diz Francisca.

Na Bahia, são 5.436 desalojados e 2.188 desabrigados. No Piauí e no Rio Grande do Norte, a chuva afetou a vida de 78.52 e 45.308 pessoas, respectivamente. E, na Paraíba, são 5.402 desalojados e 1.488 desabrigados.

Na região Norte, é no Estado do Amazonas onde se encontra o maior número de municípios atingidos (47) com 43.205 pessoas desalojadas e 8.649 desabrigadas. No Estado do Pará são 35 municípios atingidos e 170.095 pessoas afetadas direta ou indiretamente pela chuva. No Acre, existem 2.105 desabrigados e 1.695 desalojados, em dois municípios atingidos.

O nível das águas no Amazonas está apenas 72 centímetros abaixo do verificado na maior cheia já ocorrida, que foi a de 1953. Hoje (12) o nível do Rio Negro em Manaus chegou a 28,97 metros.

O Amazonas já atingiu a cota de emergência, ou seja, a média de todas as máximas cheias já registradas no estado desde 1902. A verificação do nível do Rio Negro na capital amazonense é a referência para a medição anual das cheias dos rios no estado.

Segundo a Agência Nacional de Águas, Santarém, no oeste do Pará, vive a maior enchente dos últimos 56 anos. Em Óbidos, que fica a 1,1 mil
km de Belém, o Rio Amazonas atingiu no fim de semana a cota de 8,48 metros - o nível mais alto já medido desde 1927. No domingo de Páscoa, cerca de 5 mil pessoas foram prejudicadas pelas inundações ocorridas em Altamira, no sudoeste paraense.

Em Santa Catarina, os danos causados pela chuva atingiram 10 municípios e uma população de 3.550 pessoas, deixando 3.333 desalojados e 217 desabrigados.



Com informações da Agência Brasil

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