No Pantanal, cheia do rio Paraguai pode ser a menor em 35 anos

Elisa Estronioli
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O período das cheias no Pantanal pode ser o mais seco dos últimos 35 anos. A previsão é do pesquisador Ivan Bergier, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

  • Arte UOL
Segundo a previsão da Embrapa, a altura máxima das águas do rio Paraguai, durante as cheias (entre maio e junho) deve ficar entre 2,7 e 3,3 metros. Se ficar próxima ao valor mais baixo, será semelhante ao registrado na seca prolongada, de 1964 a 1973, quando a altura máxima do rio ficou entre 1,1 (1971) e 2,7 metros (1965). Desde 1974, a altura havia permanecido entre 3 e 5 metros.

A previsão tem como referência a altura das águas do rio Paraguai na base naval da marinha, no município de Ladário, onde são realizadas medições desde 1990.

Apesar de ainda não sentirem os efeitos da estiagem, os fazendeiros da região já estão se preparando. "Sabemos que vai ser a maior seca dos últimos tempos", diz Ricardo Lins de Barros, diretor do Sindicato Rural de Corumbá (MS).

De acordo com Bergier, ainda é cedo para falar em tendência de uma seca prolongada ou para especular as causas do fenômeno. Não há relações provadas, por exemplo, com influência do El Niño ou La Niña. Bergier também trabalha com a possibilidade de a seca ser consequência de uma oscilação atmosférica no Oceano Atlântico Norte que estaria "segurando" a umidade, mas admite que as causas ainda estão em especulação: "Sabemos que teve muita chuva na Amazônia, e essa chuva não chegou aqui por alguma razão".

O pesquisador explica que o período de chuvas na região é entre outubro e março, mas o efeito nas águas dos rios é percebido em meados de maio e junho - período mais seco. "A profundidade dos rios da região depende do volume de chuva nas cabeceiras, que ficam no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, na divisa com o Paraná." O baixo nível dos rios, portanto, é conseqüência da pouca chuva.

Incêndios
Bergier chama atenção para alguns efeitos da seca que já podem ser sentidos, por exemplo, incêndios. "Algumas regiões do Pantanal, como a do rio Paraguai, já estão sofrendo com incêndios, o que é uma coisa rara nessa época do ano. Normalmente, elas acontecem no segundo semestre, período de seca. Mas este ano, em janeiro já teve incêndio".

O pesquisador observa que as previsões não significam que todo o Pantanal vai secar. "O quadro crítico é nas regiões do Paraguai, Abobral e Miranda."

Seca já atinge centro-sul do MS
Se os efeitos da estiagem ainda são sutis no Pantanal, o quadro é diferente na região centro-sul do Estado. De acordo com a Defesa Civil estadual, desde o começo do ano, 9 municípios já entraram situação de emergência por causa da estiagem. Atualmente, apenas Deodápolis continua com o decreto, que vence no dia 20 deste mês.

Isso não quer dizer que o pior já passou. Outros municípios já entraram em contato com a Defesa Civil para orientações e devem assinar o decreto, como Amambai, Fátima do Sul, Itaquiraí, Sete Quedas, Glória de Dourados, Perenos e Antônio João, todos no sul do Estado, próximo à fronteira do Paraná.

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