Bebê de três semanas é a sétima vítima das chuvas em Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Um bebê de apenas três semanas morreu na manhã desta quinta-feira (14) em decorrência de um deslizamento de barreira ocorrido na madrugada de ontem (13), no município de Barra de São Miguel, a 42 km de Maceió. Adrielli Ribeiro chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros com vida e estava internada no Hospital Geral do Estado com ferimentos por todo o corpo e problemas pulmonares. Após 24 horas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), ela não resistiu aos ferimentos.

CHUVAS EM ALAGOAS

MUNICÍPIOMORTOSAFETADOS
Barra de São Miguel32.750
Maceió380
Coqueiro Seco1120
Marechal Deodoro068
Total em Alagoas73.018

No momento da queda da barreira, a família inteira do bebê, formada por cinco pessoas, estava dormindo. Além da recém-nascida, morreram também os dois irmãos dela: Francisco Ribeiro Júnior, de três anos, e Daniela Ribeiro da Silva, de um ano e meio. A mãe, Maria Aparecida, chegou a ser internada, mas teve alta médica hoje.

Por conta de temporais do dia 1° e de ontem (13), sete pessoas já morreram em Alagoas: três em Maceió, três em Barra de São Miguel e uma em Coqueiro Seco. Todas foram vítimas de soterramento.

Desde o início do mês, choveu mais de 270 mm em Alagoas, número próximo à média histórica do mês mais chuvoso do ano no Estado, que é de 300 mm.

Balanço
Nesta quinta-feira, a Defesa Civil Estadual apresentou um balanço geral das cidades atingidas pela chuva em Alagoas. Ao todo, mais de 3.000 pessoas foram afetadas em cinco municípios do Estado: Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Marechal Deodoro, Paripueira e a capital Maceió.

Das cidades atingidas, a situação mais grave é encontrada em Barra de São Miguel, que decretou situação de emergência por conta dos estragos. Segundo a prefeitura, 2.750 pessoas foram atingidas pelo temporal de quarta-feira, o que significa mais de um terço da população do município (de 7.200 habitantes).

"Conforme orientação da Defesa Civil, procuramos retirar todas as pessoas que estão em área de risco. No caso da família em que três pessoas morrerem, também providenciamos o enterro, abrigamos as pessoas e nos responsabilizamos, ainda, pela alimentação", afirmou o secretário de Assistência Social do município Carlos Macedo, em entrevista à imprensa hoje.

Segundo a Defesa Civil Estadual, o município ainda apresenta várias áreas de risco. "Agora estamos empenhados em retirar as famílias que ainda permanecem no local e buscar recursos para reconstruir o que foi destruído", afirmou o coordenador geral da Defesa Civil Estadual, Coronel Jadir Ferreira.

Segundo ele, o município de Paripueira - que não possui um número preciso de pessoas atingidas - também estuda decretar situação de emergência. "Vamos avaliar as condições do local e observar se há necessidade de pedir o decreto", assegurou.

Em Maceió, cerca de 80 pessoas estão desalojadas e existem 70 pontos de alto risco. Já Marechal Deodoro e Coqueiro Seco possuem 188 desabrigados e desalojados.

Nesta quinta-feira, a chuva deu uma trégua, e a Defesa Civil Estadual fez uma visita aos quatro municípios litorâneos atingidos. As cidades também foram visitadas por técnicos das secretarias da Assistência Social, Saúde e Infraestrutura.

A visita aos municípios foi uma solicitação do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Ele pediu um levantamento das áreas de risco e dos problemas estruturais causados pela chuva para implementar um plano emergencial e assim ajudar aos governos municipais e à população afetada.

Sem Defesa Civil
Para o coordenador da Defesa Civil Estadual, os municípios atingidos pelas chuvas este mês (com exceção de Maceió) não possuíam estruturas de prevenção em funcionamento.

"A verdade é que a maioria dos municípios de Alagoas - como esses atingidos pelas chuvas - tem núcleos de Defesa Civil apenas no papel, e não na prática. Se essas cidades tivessem trabalhos de prevenção nas áreas de risco, esses acidentes poderiam ter um número menor de mortos e feridos", assegurou Jadir Ferreira, que também é comandante do Corpo de Bombeiros de Alagoas.

Ele afirma ainda que a previsão do tempo aponta para mais chuvas no Estado nos próximos dias. "Os prefeitos têm que entender que o inverno deste ano não será brincadeira. A previsão é de muita chuva e vamos ter trabalho. É preciso realizar alguns levantamentos de dados para fazermos um trabalho eficiente. Maio é o mês mais chuvoso do ano", alertou.

Segundo o coordenador, o efetivo dos bombeiros está em alerta para os chamados da população, e alerta para a necessidade das pessoas abandonarem os pontos de risco no momento de temporais. "Em um primeiro momento, pedimos que as pessoas que moram em áreas de risco desocupem as casas no momento em que começar a chover. Nesta hora, elas devem procurar casas de parentes ou conhecidos em um lugar seguro", aconselhou Ferreira.

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