Pai de acusado de matar inglesa foi esquartejado, diz tia em júri popular

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A tia de Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, réu confesso do esquartejamento da estudante inglesa Cara Burke, afirmou nesta quinta-feira (14) que o pai do rapaz também foi esquartejado. Ela prestou depoimento como testemunha de defesa no júri popular do acusado, que acontece em Goiânia.

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Segundo Jane Lúcia de Sousa Oliveira, Mohammed tem problemas psicológicos e o principal motivo disso é a ausência do pai, policial militar, assassinado e esquartejado quando ele tinha dois anos de idade. Questionada pela defesa sobre o comportamento do sobrinho antes de usar drogas, ela respondeu: "Ele nunca foi normal". Para ela, as grandes jornadas de trabalho da mãe do réu fizeram com que ele não tivesse percepção de limites.

Jane chorou e disse que Mohammed estava "em estado lastimável e muito magro" por causa das drogas. Ao perceber essa dependência, o irmão dele, Bruce Lee, teria ligado para a mãe nos Estados Unidos e contado da situação do irmão, mas ela não acreditou. Por esse motivo, Bruce passou a administrar o dinheiro que a mãe enviava para eles, mas isso não foi suficiente para acabar com a dependência do irmão, que passou a cheirar gás de cozinha.

Mohammed D'Ali responde por homicídio

  • Eraldo Peres/AP

    Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos acompanha depoimento da namorada durante seu júri popular em Goiânia; ele confessou ter assassinado e esquartejado a inglesa Cara Marie Burke, 17; ele tirou fotos do corpo com o celular e foi a uma festa

"O Mohammed tirava a mangueira do fogão e cheirava o gás até desmaiar", afirmou a tia. "Aos 10 anos, ele esfaqueou Bruce Lee por ter trocado o canal de televisão."

Em relação aos estudos, Jane afirmou que Mohammed era muito desinteressado e que ateou fogo em um colégio nos Estados Unidos, onde morou por um tempo. Depois disso, a tia disse que ele voltou ao Brasil e, aos 15 anos, foi levado pela mãe para Londres, onde só gostava de dormir, usar drogas e ir a festas rave. Então, conheceu Cara. Para Jane, o crime foi uma surpresa e Mohammed não o teria praticado se não estivesse sob o efeito de drogas.

Julgamento
Antes, o juiz Jesseir Coelho de Alcântara, presidente do 1º Tribunal do Júri de Goiânia, ouviu a namorada de Mohammed, que afirmou acreditar que o rapaz possui problemas mentais, mas que quer mudar. Ela disse ainda que ele tem um filho para criar. O julgamento pelo homicídio teve início às 8h40.

Ao todo, são cinco testemunhas de defesa e cinco de acusação. Neste momento, Mohamed é interrogado pelo juiz. Depois, Ministério Público e advogado apresentam suas contrarrazões, com direito à réplica e tréplica.

Entenda o caso
O crime ocorreu no final da tarde do dia 26 de julho de 2008, em um apartamento de classe média no Setor Universitário, região leste da capital goiana. Cara Burke foi morta a facadas e depois teve a cabeça e os membros decepados. O tronco foi colocado em uma mala de viagem e jogado às margens de um rio, em Goiânia. Cabeça, braços e pernas foram jogados em um córrego, próximo à cidade de Bonfinópolis (33 km da capital).

Mohammed responde por homicídio, destruição e ocultação de cadáver. A defesa se sustenta em laudos psicológicos que atestam a semi-imputabilidade de Mohamed, o que reduziria a pena final caso ele seja condenado. Já a promotoria afirma que Mohammed é completamente imputável e não psicopata.

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