Feira erótica contraria crise econômica e anuncia crescimento no Brasil

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Gel excitante e retardante. Consolos em forma de vegetais e vibradores que parecem armas intergaláticas, fosforescentes e com formas esdrúxulas. Cabines eróticas em que é possível bolinar atendentes passando a mão por buracos na divisória do estande. A Erotika Fair chega a sua 14ª edição misturando o clima de feira de exposição com o de puteiro, com direito a gelo seco, luz baixa e música alta.
 

  • Fernando Cavalcanti/UOL

    Na cabine de contato, usuário pode bolinar as atendentes a partir de buracos nas divisórias

  • Fernando Cavalcanti/UOL

    Funcionárias de loja de produtos eróticos apontam vibradores de vários formatos para a câmera

E o setor pornográfico aproveita o evento para anunciar que a sexualidade não está em crise como a economia. Seja porque o nicho de mercado está em expansão, seja porque desempregado tem mais tempo para consumir ou mais dinheiro (da indenização) para investir, o mercado erótico vive um crescimento anual de 10% a 15%, segundo a Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico) . "Já fui consultado por gente que foi demitido e pegou o fundo de garantia para aplicar em lojas virtuais", diz Evaldo Shiron, idealizador e promotor da feira que já está em sua 14ª edição.

Sex and the City
Segundo ele quem está impulsionando o mercado são as mulheres. "Elas estão mais liberadas, elas estão se emancipando financeiramente dos namorados e maridos e, além do mais, se espelham em novelas e seriados como Sex and the City para acabarem com o preconceito." Ele afirma que o consumo feminino cresceu 70% em relação à primeira edição da feira, em 1997.

"Essa crise demorou para chegar e está indo rápido. Ainda mais para um mercado em expansão como o nosso. Ainda há muita demanda reprimida", afirma Fábio Melo, representante de vendas da loja Adão e Eva. Na vitrine do local se destaca o Sheagra, com embalagem que parece um remédio. Dentro, porém, há uma dedeira que ajuda na masturbação feminina.

Outro produto é um kit de peso para as garotas treinarem pompoarismo, com pesos até 75 gramas para deixar as vaginas musculosas. Há também as famosas bombas penianas, na versão manual e na versão elétrica (para os preguiçosos). Outra bombinha chamada "the new oro-simulator for men" promete sexo oral dispensando a figura da parceira, ou parceiro. Até o inocente patinho para banhos de banheira ganhou um similar com vibração para aumentar a diversão na imersão.

Uma das visitantes do local, que preferiu que seu nome não fosse veiculado, disse que foi à feira porque o ex-namorado a tinha convidado no ano passado pouco antes de acabar o relacionamento. "Queria saber o que tinha aqui para ele ter insistido tanto", confessou a garota, que saiu da cabine de bolinação não muito satisfeita com o resultado. Já as cabines para o público masculino enfrentavam fila constante.

No pavilhão de shows e serviços (com entrada de R$ 50), até a praça de alimentação tem nome adequado: Masturbar. No palco, um casal de lésbicas, com nome artístico "As Mutantes", se esfregam acrobaticamente sob os olhares e lentes dos visitantes.

Oscar do pornô brasileiro
Esse mesmo palco dará lugar à primeira entrega do Oscar do pornô brasileiro: o Erótica Vídeo Awards (EVA). A premiação será no dia 22, com categorias como "melhor cena de sexo oral", "melhor cena de sexo anal", "melhor filme de bonekas", "melhor ator ativo" e "melhor ator passivo". A versão brasileira segue agora os originais norte-americanos, que aliam as feiras de produtos e serviços com as premiações pornográficas.

Outra novidade deste ano será o estacionamento que servirá para uma tara bem específica: o dogging, termo para quem gosta de transar em carros. Os casais terão desconto, solteiros pagam mais e uma Kombi tunada servirá para as duplas que estiverem a pé. Já no túnel de sensações, o visitante tem que resistir sem tocar as atendentes que rebolam e se roçam nele

O local dará lugar a uma festa picante nas duas noites de sábado, com direito a dark room e tolerância a todas as variantes eróticas, com preços de R$ 80 (mulher), R$ 120 (homem) e R$ 160 (para o casal). As pessoas deverão vestir cores determinadas para identificarem sua orientação sexual. Os 45 seguranças contratados cuidarão para que ninguém se exceda.

É tamanha a quantidade de produtos que se comprova que o sexo já está totalmente colonizado pela sociedade de consumo. Para os solitários, há vaginas feitas com cyberskin, um plástico que imita a pele humana. Para as sem-namorados, há pênis fabricados com aço cirúrgico, que prometem ser mais higiênicos.

"Vela para massagem beijável"
Para quem tem parceiro, está à disposição gel que gela e outro que esquenta. Outra alternativa é a vela cuja cera não queima e podem ser degustadas cujo nome de especificação é "vela para massagem beijável" - ou seja, um sadomasoquismo sem sofrimento. Além disso, há o tradicional perfume com feromônios e os cada vez mais usados óleos eróticos (com sabores elaborados como "morango com champanhe").

No setor dos infláveis, a população se diversificou e não há apenas as loiras de boca aberta. Há vacas e cabritas para o bestialismo inflável e até homem, chamado de Giorgio e com peito peludo sobre o plástico.

Entre as opções de presentes para sacanear os amigos, os destaques vão para um porta-caneta sodomita, os palitos fálicos para coquetel e as formas para biscoito em formas eróticas.

No meio de tanto estande, Morgana Dark desfilava sua gravidez de oito meses. A atriz pornô de 30 anos anunciou a aposentadoria na loja que expõe seu site e sua produtora. "Era o momento de parar. Agora virei empresária, até produzi um filme", diz. Agora é ela que paga o cachê de R$ 1.000, que é a média para as atrizes nacionais. "A boa atriz pornô é a que passa prazer para o espectador. Principalmente pelo rosto, que é a parte mais obscena do corpo", afirma Morgana, que, como saideira da carreira, concorre na categoria "melhor cena de sexo entre garotas" no EVA.

Outro personagem interessante da feira é a campeã de pole dance Grazzy Brugner, que dá curso e vende DVD com sua arte acrobática em torno de um poste. Ela faz posições com nomes como crucifixo, bumerangue, taturana, iguana e escorpião. "Tenho alunas de 50 anos que eram sedentárias e hoje conseguem ficar de ponta-cabeça e se mostrar muito sexy no palco", propagandeia a também professora de ginástica.

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