Polícia apreende bombas de grupo neonazista em Porto Alegre

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul desmontou hoje (18) um grupo neonazista com atuação no Estado. Agentes da 1ª Delegacia de Porto Alegre apreenderam cerca de 300 peças de propaganda do grupo, batizado de New Land. Entre o material apreendido havia três bombas de fabricação caseira, além de uniformes militares, suásticas, DVDs, livros e armas.
  • Divulgação

    Foram encontradas três bombas de fabricação caseira, além de uniformes militares, suásticas, DVDs, livros e armas



Segundo o delegado Paulo César Jardim, responsável pela operação, os nazistas estavam preparando ataques a grupos homossexuais e a sinagogas. A polícia suspeita que o grupo tenha ligação com dez assassinatos no Rio Grande do Sul nos últimos dois meses. "Eles planejavam ataques em massa", disse Jardim.

A operação, no entanto, não efetuou prisões no Rio Grande do Sul. Os integrantes do New Land estavam, segundo a polícia, na fase de planejamento e só poderiam ser presos, disse o delegado, se defendessem publicamente o nazismo. "Eles não tiveram tempo de agir porque chegamos antes", informou Jardim.

Segundo o titular da 1ª DP gaúcha, o grupo começou a crescer nos últimos meses e passou a planejar ações vinculadas à ideia de uma sociedade baseada num conceito de pureza racial.

As apreensões foram feitas em cinco casas em cidades da região metropolitana. O grupo atuava em Porto Alegre, Cachoeirinha e Viamão, além de duas cidades da serra gaúcha que não foram reveladas pela polícia. O líder do grupo, segundo Jardim, é um jovem de 21 anos com antecedentes por homicídio.

A organização do grupo, segundo o delegado, obedecia a uma lógica militar. Além de um porta-voz com funções políticas, uma facção era responsável pela propaganda, e outra tinha a missão de recrutar "soldados". Cerca de 40 pessoas estão sendo investigadas, suspeitas de integrar o grupo.

Entre o material apreendido havia facas, estiletes, roupas com suásticas, uniformes militares e DVDs de doutrinação nazista. As três bombas, segundo o delegado, foram construídas com pregos e parafusos, mas tinham um limitado poder de destruição. "Mesmo assim, tenho certeza que salvamos algumas vidas", disse o delegado.

O grupo, que vem sendo investigado pela polícia há pelo menos 8 anos, é a ramificação de uma organização nazista com sede em São Paulo. O líder do grupo paulista, Ricardo Barolo, foi preso há 20 dias no Paraná, acusado de homicídio.

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