Médicos de Maceió acabam greve e unidades voltam ao trabalho hoje

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Depois de 15 dias de paralisação, os 470 médicos do município de Maceió (AL) voltaram ao trabalho nesta terça-feira (19). O fim da greve foi decidido após uma reunião com o prefeito Cícero Almeida (PP), ontem. Os médicos aceitaram a proposta de criação de uma comissão para discutir um plano de cargos, carreiras e salários (PCCS). À noite, em assembleia, a categoria decidiu retornar às atividades.

Com 72 unidades de saúde, cerca de 800 mil pessoas que dependem de atendimento público ficaram sem serviços básicos na capital alagoana. Durante esses 15 dias, mais de 95% dos ambulatórios, unidades básicas e do PSF (Programa de Saúde da Família) permaneceram fechadas, com direito a protestos da população.

Embora pedissem reajuste de até 100% nos salários, os médicos se contentaram apenas com "promessas". Na reunião, ficou definida a criação de uma comissão formada por quatro secretários para discutir a questão salarial da categoria. A primeira reunião do grupo acontece na terça-feira da próxima semana.

O projeto será apresentado diretamente à Câmara de Vereadores pela médica e vereadora Fátima Santiago (PP). A promessa da prefeitura é sancionar o PCCS até o final de julho. "Nós já temos um plano pronto, é só adaptar à realidade do município. Por conta da crise alegada, o aumento salarial só virá com o plano de cargos e carreira", afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão.

Mesmo sem reajuste imediato, o sindicalista comemorou o que considerou uma inédita "abertura de um canal de negociação" entre os médicos e o governo municipal. "Foi a nossa primeira reunião com o prefeito em cinco anos. Prevaleceu o diálogo, já que o prefeito alegou que não conhecia a realidade da defasagem dos salários dos médicos. Temos confiança, até porque se ele não cumprir, voltamos à greve", disse Galvão.

Segundo ele, um médico de ambulatório chega a ganhar R$ 1.117. "Essa realidade vai mudar gradualmente, já que existe uma defasagem muito grande e que não pode ser atendida de imediato", informou Galvão.

Crise
Durante o período da greve, o atendimento no HGE (Hospital Geral do Estado) teve um aumento de 20% no número de pacientes, o que agravou a superlotação do local. Numa inspeção, o CRM (Conselho Regional de Medicina) encontrou até pacientes no chão do hospital.

Por causa da greve dos médicos do município, somada à paralisação do SUS (Sistema Único de Saúde) - que se arrasta há 10 meses em Alagoas - o Estado chegou a preparar um decreto de emergência para criar um hospital de campanha, com apoio do Exército e do Corpo de Bombeiros.

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