Para arcebispo de Manaus, população precisa "reaprender a conviver com enchentes"

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O vice-presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luiz Soares Vieira, que há mais de 17 anos é arcebispo de Manaus, afirmou nesta quinta-feira (21) que o problema das enchentes na Amazônia não pode ser creditado a mudanças no clima, mas à mudança no comportamento das pessoas. Para ele, "o ser humano perdeu o hábito de conviver com a natureza".

"Dizer que é uma questão do clima é muito superficial, porque isso já vem de muitos e muitos anos. O que mudou foi a mentalidade do povo. Até recentemente, o povo sabia conviver com essas enchentes na região amazônica e ia mudando conforme a necessidade", analisou. "Mas o ser humano perdeu o hábito de conviver com a natureza e foi construindo casas onde não devia, fazendo obras onde não devia e agora essas enchentes se tornam calamidades."

Para ele, a população precisa reaprender a conviver com a natureza para que o problema não se repita todos os anos. O arcebispo disse que no Nordeste a situação é diferente, porque é difícil prever quando haverá enchentes. "Na Amazônia é previsível, mas no Nordeste, não".

Dom Luiz também criticou políticos locais por terem deixado que as pessoas fossem morar em locais de risco. Segundo ele, os políticos não tiraram a população do local para não perderem votos.

"Em Manaus, agora o governo está tirando o pessoal da beira dos igarapés. Há um grande programa, com o apoio do Banco Mundial. Mas quanto dinheiro nós não vamos ter que pagar pra isso acontecer? Por que aqueles que deixaram acontecer isso não pagam a conta e nós do povo é que vamos ter que pagar?"

Desmobilização
Para o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, o problema maior para os Estados atingidos por enchentes começa quando as chuvas cessam. "A opinião pública se mobiliza em solidariedade no momento em que as águas sobem e os meios de comunicação mostram cenas dramáticas de pessoas que perdem tudo. O problema é depois, quando as águas baixam e essas regiões deixam de ser notícia e a sensibilidade também diminui."

Ele afirma que não apenas a sociedade civil se desmobiliza quando as enchentes deixam de ser notícia, mas também o poder público, que "não dá o suporte necessário para a fase de reconstrução" das áreas atingidas. "O momento dramático da enchente, passa. Mas o momento dramático das consequências pós-enchente, perdura."

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