Superintendente da Polícia responsabiliza presos por "sujeira" em presídios capixabas

Marco Antonio Soalheiro
Enviado Especial da Agência Brasil
Em Serra (ES)

As péssimas condições de higiene detectadas hoje (21) em inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no presídio de Novo Horizonte, em Serra, na Grande Vitória, são "90% de responsabilidade dos presos". A afirmação foi feita à Agência Brasil pelo superintendente de Polícia Prisional, Gílson Lopes.

Juiz relata desrespeito a preceitos básicos de Direitos Humanos em presídio do ES

Após três horas e meia de inspeção no Presídio de Novo Horizonte, em Serra, na região metropolitana de Vitória, o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Erivaldo Ribeiro, informou em nota divulgada pela assessoria ter "constatado que a situação encontrada é gravíssima, com condições sanitárias inaceitáveis."

Responsável pela supervisão de cinco unidades que abrigam presos, Lopes disse que todas são limpas com regularidade semanal e acusa os detentos de jogar lixo no chão para impressionar órgãos de direitos humanos e degradar os locais, por meio de procedimentos que visam a fuga.

"No afã de fugir, e burlar a vigilância, eles destroem e serram as grades. Tentam cavar túneis, encontram canos, e aí provoca situações de esgoto a céu aberto. Nas celas metálicas espalham de propósito restos de comida", disse Lopes. "Nós colocamos na condição ideal, mas eles bagunçam tudo", acrescentou.

O superintendente justificou a superlotação pelos números desproporcionais entre a entrada de detentos e as vagas abertas. Em Novo Horizonte, por exemplo, 679 presos ocupam um espaço planejado para abrigar 210 detentos.

Parentes de presos reclamaram hoje da restrição da entrada de alimentação em dias de visitas. Desde o último dia 15 de maio, cada detento só pode receber das esposas, filhos, pais ou advogados cinco pacotes de biscoito e duas garrafas de refrigerante ou água de dois litros, para um período de 15 dias.

Lopes justificou a restrição por medidas de segurança e pela garantia, por parte do Estado, de quatro refeições diárias aos presos, preparadas com a supervisão de nutricionistas.

"Cortamos a entrada de pacotes de arroz e feijão porque usavam isso para entrar com drogas, armas e celulares. Ainda não temos aparelhos de Raio-X", ressaltou Gilson Lopes.

Para o superintendente, a situação penitenciária no Espírito Santo é, de fato, grave, mas não será resolvida sem cooperação entre organismos de Estado e da sociedade.

"Todos têm que interagir, com objetivo de garantir que a ressocialização aconteça. Mas tem muita gente que prefere criticar sem apontar solução", argumentou Lopes.

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