Bandeira do Vasco hasteada em quartel da PM em Salvador provoca exoneração de major

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

O que deveria ser apenas uma provocação à torcida do Vitória, em razão da desclassificação imposta pelo Vasco da Gama, na partida de quarta-feira (20), diante do seu público, na capital baiana, acabou de outro jeito: o major Francisco César Cunha Bonfim do comando da 17ª Companhia Independente, localizada no Bairro do Uruguai, em Salvador, foi exonerado do cargo.

Cunha Bonfim foi responsabilizado pelo fato de a bandeira do time carioca ter amanhecido, na quinta-feira (21), tremulando no mastro em frente à sede do Batalhão, hasteada não se sabe por quem - provavelmente, um torcedor do grande rival do Vitória, o Bahia. O major tem evitado falar sobre o ocorrido, inclusive por recomendações superiores, mas teria admitido que militares subordinados a ele hastearam a bandeira em um momento de "brincadeira, sem maldade". Ele não deu expediente nesta sexta-feira.

No local, costumam estar hasteadas as bandeiras do Brasil, da Bahia e da própria Polícia Militar. Na quinta-feira, apenas a do Vasco, que eliminou o Vitória, ao conseguir um empate, em partida no Estádio Barradão da Copa do Brasil na quarta-feira, balançava ao sabor do vento.

Na noite da quinta, após ter sido informado sobre a ocorrência, o comandante-geral da PM, coronel Nilton Régis Mascarenhas, anunciou, por meio da assessoria de comunicação da instituição, a exoneração do major Cunha Bonfim, alegando que o fato contraria o inciso II do artigo 41 do Estatuto dos Policiais Militares, que trata do respeito aos símbolos nacionais. Ele será substituído pelo major Lindenberg Augusto Ferrão.

Indagado pela imprensa, na manhã desta sexta-feira (22) sobre o caso, o governador Jaques Wagner, condenou a "provocação" feita pelos militares, ainda que tenha tido conotação de "brincadeira", e questionou o fato de o futebol mexer tanto com as pessoas "a ponto de comprometer seu profissionalismo".

O comando da PM ainda distribuiu nota oficial afirmando que "repudia o episódio, rechaça e abomina o desrespeito ao local sagrado de hasteamento do pavilhão nacional, sob quaisquer pretextos".

Foi anunciada ainda a abertura de uma sindicância para descobrir responsáveis pela "brincadeira", considerada "infração disciplinar gravíssima". Caso sejam descobertos, os responsáveis estarão sujeitos a punições que vão de detenção até a demissão da função de policial militar.

A bandeira vascaína tremulou à frente da companhia até o final da manhã. Por alguns breves momentos, ela dividiu espaço com a do Estado da Bahia no local, até a sua troca.

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