Escola em favela do Rio vai oferecer atendimento médico e cursos profissionalizantes

Isabela Vieira
Da Agência Brasil
No Rio de Janeiro

Uma experiência inovadora em educação começa a ser desenvolvida em uma das maiores favelas da capital fluminense. Na região central do Complexo do Alemão, a Escola Teophilo de Souza Pinto, com capacidade para atender 1,2 mil alunos, vai oferecer, de maneira integrada, educação, cultura, saúde e profissionalização.

O novo modelo será implantado junto com uma nova proposta de ensino elaborada com a comunidade, no próximo ano letivo. "A ideia é enxergar o aluno em sua complexidade e prepará-lo para o mercado de trabalho. Em uma área onde as crianças têm baixa auto-estima, se sentem excluídos, a mudança no ensino e na infraestrutura é uma forma de mantê-los aqui", disse a diretora da escola, Anete Pinhel.

As mudanças já começaram. A unidade ganhou recentemente telefones e computadores com acesso à internet. Um projeto do artista plástico Luiz Stein deu às paredes e aos corredores, novas cores. Tons de amarelos, laranja e azul, que segundo o artista estimulam a criatividade e a liberdade, chamam a atenção dos alunos e os muros que cercam a escola serão trocados por cercas.

"Aqui as pessoas prometem muita coisa, mas nada acontece. Mas parece que, dessa vez, as coisas vão ficar prontas mesmo, e nós estamos gostando muito de todas as mudanças", disse a aluna Lidiane Malta, de 17 anos.

A secretária de Educação, Tereza Porto, afirmou que o projeto modifica a presença do estado na comunidade e deve servir de exemplo. "Vamos introduzir aqui um modelo de formação diferente, com ensino médio integrado, com formação profissional de nível básico e em tecnologia da informação, ações culturais importantes e apoio psicológico", disse.

Os cursos profissionalizantes devem ser financiados pelo Ministério da Educação, que vai investir na construção de um prédio anexo à escola. A parceria foi oficializada hoje (22) e compreende a instalação de um auditório, um cineclube, salas de aula e um laboratório de informática. Os Equipamentos também poderão ser utilizados pelos moradores, fora do horário de aulas.

O Complexo do Alemão é uma das comunidades marcadas pela violência. Em 2007, foi ocupada pela Força Nacional de Segurança. Por mais de um ano, as tropas se revezaram em operações de combate ao tráfico de drogas. As ações foram cercadas de denúncias de violação dos Direitos Humanos.

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