Irmã de jovem morto no Rio aponta contradição em depoimento de policiais

Da Agência JB

A vendedora Flávia Souza Sarte, irmão de Maxwill de Souza dos Santos, 21 anos, morto neste domingo na favela Cinco Bocas, em Brás de Pina, aponta uma contradição no depoimento de policiais do 16ºBPM (Olaria), acusados pela morte do rapaz, que não tinha passagem pela polícia.

Os policiais apresentaram na delegacia de Irajá uma arma com munições não deflagradas que, segundo eles, estaria com Maxwill na hora do suposto confronto com a polícia. Por outro lado, a perícia teria encontrado pólvora na mão do rapaz.

"Como ele tinha pólvora na mão se a arma que ele estaria carregando não teve munições deflagradas? Colocaram pólvora na mão dele, mas esqueceram de deflagrar as munições?", afirma Flávia.

A vendedora conta que o irmão trabalhava há 20 dias como ajudante de uma transportadora. Testemunhas viram quando policiais atiraram contra a moto em que Maxwill estava com um amigo, que foi atingido de raspão em uma nádega e conseguiu fugir. Maxwill, que caiu no chão ao ser atingido, teria sido executado."Os policiais o mataram e levaram o corpo. Ele foi o terceiro morto em menos de 15 dias na comunidade", diz Flávia.

A vendedora atribui o crime a um policial identificado como Leandro, morador da Cidade Alta, que teve "problema com marginais" da Cinco Bocas e agora estaria se vingando. "Ele fala que toda vez que entrar ali vai matar alguém. Só que ele não mata bandido. Mata qualquer um que vê pela frente", afirma.

Moradores protestam
A avenida Brasil está com o trânsito fechado na altura de Cordovil, na manhã desta segunda-feira, por causa de um protesto contra a morte de Maxwill. Os manifestantes queimam pneus e madeira em frente à empresa de ônibus Itapemirim. Policiais do 16ºBPM (Olaria) tentam conter a manifestação.

Ontem à noite, os moradores protestaram contra a morte de Maxwill em frente à 38ª DP (Irajá). Policiais militares deram tiros para o alto para desfazer o tumulto no local.

A mãe de Maxwill, por sua vez, contou que o rapaz saía de uma festa quando policiais entraram na comunidade atirando. Maxwill, que não tinha passagem pela polícia, foi atingido quando estava na garupa da moto de um amigo, que também foi baleado e está internado no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte. O rapaz chegou a ser levado para o hospital, onde chegou morto. A mãe acusa os policias de matarem o filho dentro do carro policial.

Os PMs alegaram terem ido à favela para reprimir um baile funk e foram recebidos a tiros pelos traficantes. No 38ªDP (Irajá), apresentaram um rifle 44 com munição e 103 sacolés de cocaína, que disseram estar com os dois rapazes da moto.

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